Novo ano, Novo você, Novos objetivos. 🥂🍾 Comece 2024 com 70% de desconto no 12min Premium!
QUERO APROVEITAR 🤙Operação Resgate de Metas: 63% OFF no 12Min Premium!
Novo ano, Novo você, Novos objetivos. 🥂🍾 Comece 2024 com 70% de desconto no 12min Premium!
Disponível para: Leitura online, leitura nos nossos aplicativos móveis para iPhone/Android e envio em PDF/EPUB/MOBI para o Amazon Kindle.
Editora: 12min
Um estudo publicado na JAMA Network Open, revista científica americana da área médica, encontrou uma correlação clara: nos dias de lançamento de grandes álbuns nas plataformas de streaming, as mortes no trânsito nos Estados Unidos sobem 15,1%. A pesquisa, conduzida por cientistas ligados à Harvard Medical School, foi noticiada por veículos como o Guardian, a CNN e a Veja, e o dado que chamou atenção é específico — 15,1% de aumento relativo nas fatalidades, comparado com dias semelhantes ao redor do lançamento.
A hipótese dos autores não é que música mate. É que procurar uma música nova no celular, no meio do trânsito, exige alguns segundos de olho na tela — e que o lançamento de um disco muito esperado faz milhões de pessoas fazerem isso ao mesmo tempo, algumas delas dirigindo.
Os pesquisadores selecionaram dez álbuns lançados entre 2017 e 2022, escolhidos por terem alcançado os maiores volumes de reprodução no Spotify em um único dia. Entre eles estão "Midnights", de Taylor Swift, lançado em 21 de outubro de 2022; "Scorpion", de Drake, de 29 de junho de 2018; "Harry's House", de Harry Styles, de 20 de maio de 2022; "Certified Lover Boy", também de Drake; e "Un Verano Sin Ti", de Bad Bunny. A lista inclui ainda discos de Kendrick Lamar e Kanye West.
Nesses dias, o número de mortes em acidentes de trânsito subiu 15,1% em relação a dias comparáveis próximos. Em números absolutos, a média foi de 121 mortes nas datas sem lançamento contra 139 nas datas de lançamento — cerca de 18 mortes a mais por dia. Somando os dez álbuns, os autores escrevem que isso equivale a "aproximadamente 182 mortes nos Estados Unidos atribuíveis às datas de lançamento dos 10 álbuns incluídos".
Para dimensionar: mais de 35 mil pessoas morrem em acidentes de trânsito nos Estados Unidos a cada ano, segundo o Departamento de Transportes do país. Em 2022, 3.308 dessas mortes foram atribuídas a direção distraída.
O ponto de partida foi um problema metodológico. "Você não pode sortear pessoas para usarem o celular, e motoristas raramente contam o que estavam fazendo nos segundos antes de uma batida", disse Vishal Patel, primeiro autor do estudo, médico do Mass General Brigham e pesquisador da Harvard Medical School. Segundo ele, os lançamentos de álbuns oferecem "algo mais próximo de um experimento — um dia em que o uso de smartphone dispara nacionalmente por razões que não têm nada a ver com as condições da via, o clima ou quem por acaso está dirigindo".
Os dados vieram do Fatality Analysis Reporting System, o registro federal americano de todo acidente fatal em vias públicas, mantido pela agência nacional de segurança rodoviária. A esse censo os autores cruzaram dados diários de streaming do Spotify, plataforma usada por cerca de 29% dos americanos com 12 anos ou mais.
Para evitar que o resultado fosse apenas efeito do dia da semana, a comparação usou uma janela de dez dias antes e dez dias depois de cada lançamento. A análise também levou em conta feriados federais, que por si só elevam o número de mortes no trânsito.
A premissa do estudo depende de um segundo dado: o volume de streaming das 200 músicas mais tocadas nos Estados Unidos foi 43% maior nas datas de lançamento do que nos dias ao redor. Patel é explícito sobre o que isso mostra e o que não mostra — o número não diz se essas músicas estavam sendo ouvidas dentro de um carro. "O que isso estabelece é que esses dias são genuinamente diferentes em termos de engajamento nacional com a música, que é a premissa sobre a qual todo o estudo se apoia."
A distinção que os autores fazem é entre ouvir e procurar. Acessar um lançamento não é apertar um botão: é uma tarefa de busca. "Você desbloqueia o telefone, abre o aplicativo, encontra o lançamento, lê a lista de faixas e toca na música certa. São vários segundos olhando para uma tela", disse Patel. Ele acrescenta que música desconhecida também exige mais atenção, e cita pesquisas segundo as quais ouvir músicas novas e muito energéticas piora de forma mensurável o desempenho ao volante.
Christopher Worsham, professor assistente de medicina na Harvard Medical School e coautor do estudo, colocou nos mesmos termos: "Nosso estudo sugere que a parte perigosa aqui é mexer no celular ou no sistema de entretenimento, não ouvir. Mudar a música em telas sensíveis ao toque dentro do carro, o que é muito comum hoje, é diferente de apertar um botão sem tirar os olhos da estrada."
O aumento não se distribuiu por igual. Ele foi maior entre motoristas mais jovens, homens, pessoas que dirigiam sozinhas e condutores de carros com sistema de entretenimento integrado ao painel.
Para Patel, esse padrão é o que dá consistência ao achado. "O que me convenceu de que era real foi o padrão por baixo do resultado. O aumento apareceu principalmente entre motoristas que estavam sozinhos no carro, foi mais pronunciado entre motoristas sóbrios do que entre os que tinham bebido, e não se concentrou à noite. Se isso fosse realmente sobre festas de lançamento e álcool, você esperaria o oposto nos três pontos."
Os próprios autores listam o limite central: os dados não permitem confirmar que os motoristas envolvidos nesses acidentes estavam mexendo no celular. A pesquisa identifica uma associação entre datas de lançamento e aumento de mortes, não uma relação de causa comprovada.
"Não sabemos com certeza qual é o mecanismo aqui. É que a música está mais alta? É que é um álbum novo e as pessoas estão apenas empolgadas para ouvir? É a mecânica de tudo isso, quer dizer, você atrapalhado com o celular tentando baixar alguma coisa?", disse Anupam Jena, professor da Harvard Medical School e coautor do estudo. Os pesquisadores também reconhecem que outros fatores externos podem coincidir com as datas, e que o Spotify não é a única plataforma usada por motoristas. O estudo não avaliou acidentes não fatais.
Há questionamento externo. Ian Reagan, pesquisador sênior do Insurance Institute for Highway Safety que não participou do estudo, observou que os autores controlaram feriados federais mas não outras datas comemorativas, como o Halloween, capazes de elevar acidentes por conta própria. "Se as pessoas, se os estados estivessem comemorando o Halloween naquele fim de semana em vez do fim de semana anterior, isso poderia explicar as coisas", disse.
Despina Stavrinos, diretora do Institute for Social Science Research da Universidade do Alabama, que também não participou da pesquisa, vê no estudo um deslocamento de foco. Segundo ela, o debate sobre direção distraída ficou anos preso a mensagens de texto e ligações, enquanto navegação, assistentes de voz e redes sociais multiplicaram as formas de interagir com a tela. "Este estudo amplia a conversa de 'as pessoas estão digitando ao dirigir?' para uma pergunta muito mais importante: como a interação contínua com um ecossistema digital afeta a direção?", escreveu.
A recomendação dos autores é operacional e cabe em uma frase de Patel: "Escolha o álbum, aperte play e coloque o telefone de lado." O momento importa — a escolha se faz com o carro parado, antes de engatar a marcha, e não no primeiro semáforo. Worsham diz o mesmo de outro jeito: deixe a música tocando até que seja seguro mudar.
O segundo ponto é o que o próprio dado sugere: se há alguém no banco do passageiro, entregue o celular. "O aumento apareceu quase inteiramente entre motoristas que estavam sozinhos", disse Patel. É a medida mais barata do estudo inteiro, e ela não depende de tecnologia nenhuma.
Vale também reconhecer onde a distração migrou. O aumento foi maior entre carros com sistema de entretenimento embutido no painel — telas sensíveis ao toque que substituíram botões físicos. Trocar de faixa nessas telas exige olhar, e isso não conta como "não estar no celular".
Stephanie Payne, professora de psicologia na Universidade Texas A&M, que não participou do estudo, lista opções para reduzir a interação: desligar o telefone, guardá-lo numa bolsa fora de alcance, ativar o modo "não perturbe" ou pedir a um passageiro que mexa nele. Ela reconhece a dificuldade: "Dependemos tanto dos nossos telefones para comunicação e informação que é difícil passar longos períodos sem interagir com eles. Para complicar ainda mais, notificações são muito difíceis de ignorar."
Por fim, há o calendário. Patel insiste que o objetivo não é convencer ninguém a dirigir em silêncio: "É que esses dias são previsíveis." Grandes lançamentos são anunciados com antecedência, e ele sugere que as plataformas usem isso a favor da segurança ao promover um disco novo — "uma linha sobre preparar sua música antes de dirigir não custaria nada a eles". Enquanto isso não acontece, o leitor pode fazer o cálculo sozinho: no dia em que um álbum muito esperado sai, é razoável supor que mais gente ao seu redor estará com o olho na tela.
Ao se cadastrar, você ganhará um passe livre de 7 dias grátis para aproveitar tudo que o 12min tem a oferecer.
Agora o 12min também produz conteúdos próprios. 12min Originals é a ferram... (Leia mais)
De usuários já transformaram sua forma de se desenvolver
Média de avaliações na AppStore e no Google Play
Dos usuários do 12min melhoraram seu hábito de leitura
Cresca exponencialmente com o acesso a ideias poderosas de mais de 2.500 microbooks de não ficção.
Comece a aproveitar toda a biblioteca que o 12min tem a oferecer.
Não se preocupe, enviaremos um lembrete avisando que sua trial está finalizando.
O período de testes acaba aqui.
Aproveite o acesso ilimitado por 7 dias. Use nosso app e continue investindo em você mesmo por menos de R$14,92 por mês, ou apenas cancele antes do fim dos 7 dias e você não será cobrado.
Inicie seu teste gratuito



Agora você pode! Inicie um teste grátis e tenha acesso ao conhecimento dos maiores best-sellers de não ficção.