Compra de chips de IA passa a ser financiada por dívida bilionária - Resenha crítica - 12min Originals
×

Novo ano, Novo você, Novos objetivos. 🥂🍾 Comece 2024 com 70% de desconto no 12min Premium!

QUERO APROVEITAR 🤙
63% OFF

Operação Resgate de Metas: 63% OFF no 12Min Premium!

Novo ano, Novo você, Novos objetivos. 🥂🍾 Comece 2024 com 70% de desconto no 12min Premium!

66 leituras ·  4 avaliação média ·  24 avaliações

Compra de chips de IA passa a ser financiada por dívida bilionária - resenha crítica

translation missing: br.categories_name.radar-12min

Disponível para: Leitura online, leitura nos nossos aplicativos móveis para iPhone/Android e envio em PDF/EPUB/MOBI para o Amazon Kindle.

Editora: 12min

Resenha crítica

Os sistemas de inteligência artificial que respondem perguntas, escrevem código ou geram imagens não rodam no celular de quem os usa. Rodam em galpões cheios de processadores chamados GPUs, os chips usados para treinar e operar esses sistemas, comprados às dezenas de milhares e instalados em data centers que consomem energia e refrigeração em escala industrial. A conta dessa montagem está na casa das dezenas de bilhões de dólares por trimestre nas maiores empresas do setor.

É aí que entra o assunto desta semana. Quem decide quanto dessa infraestrutura será construída não é só a empresa de tecnologia: são também os bancos, os fundos e os investidores que aceitam emprestar o dinheiro ou comprar as ações para bancá-la. O critério que eles aplicam define quais empresas continuam comprando chips e quais param.

Em poucos dias, três episódios mostraram esse filtro funcionando em tempo real. A SpaceX fechou um financiamento de cerca de US$ 40 bilhões para comprar processadores. A Meta anunciou um plano de captar até US$ 95 bilhões. E a Anthropic, dona do assistente Claude, pediu registro para abrir capital revelando um prejuízo de mais de US$ 80 bilhões no primeiro semestre.

O acordo entre a SpaceX e a Apollo

Em documento entregue na segunda-feira ao órgão regulador do mercado de capitais dos Estados Unidos, a SpaceX informou ter assinado um compromisso vinculante de aproximadamente US$ 40 bilhões em financiamento de GPUs com uma entidade administrada pela Apollo Global Management, gestora de investimentos de Nova York. No domingo, Elon Musk já havia escrito em sua conta no X que a empresa tinha "fechado US$ 40 bilhões em dívida para GPUs".

O desenho não é um empréstimo comum. Segundo o documento, a entidade da Apollo compra os chips e o equipamento de servidor e aluga tudo para a SpaceX, em contratos de cerca de cinco anos a cinco anos e três meses, contados a partir da entrega de cada lote. A SpaceX espera concluir a operação até o fim do ano, com os aluguéis começando no primeiro semestre de 2027, quando os equipamentos chegarem. Em comunicado, a empresa chamou o acordo de "maior financiamento comprometido de GPUs". A Apollo afirmou que o dinheiro ajudará a entregar a próxima geração de processadores da Nvidia.

"Este arrendamento diversifica nossas fontes de financiamento e cobre parte relevante do que é preciso para cumprir nossos planos de crescimento", disse em comunicado o diretor financeiro da SpaceX, Bret Johnsen, que também afirmou que a empresa vê retorno em menos de um ano nos investimentos em infraestrutura de inteligência artificial. A avaliação é do executivo da companhia que fez a captação.

Por que a aposta é tão grande

A SpaceX comprou a xAI, laboratório de IA de Musk, no começo do ano, e passou a chamar o negócio de "Super Intelligence". A unidade reúne o chatbot Grok, a ferramenta de programação Cursor e a venda de capacidade de computação para outras empresas, entre elas Google e Anthropic.

No terceiro trimestre, essa unidade faturou US$ 7,56 bilhões, contra US$ 813 milhões um ano antes, e sozinha rendeu mais que o Starlink e os lançamentos de foguetes somados. O gasto com instalações acompanhou: os investimentos em infraestrutura chegaram a quase US$ 20 bilhões no trimestre, ante US$ 6,9 bilhões um ano antes, com a maior parte destinada à área de IA. Na teleconferência de resultados de 20 de outubro, Johnsen disse esperar gastar entre US$ 35 bilhões e US$ 40 bilhões apenas no quarto trimestre.

Vale a medida completa: a SpaceX teve lucro de US$ 4,4 bilhões no terceiro trimestre, mas, somados os nove primeiros meses do ano, registra prejuízo de US$ 1,1 bilhão.

O aviso de Musk e as empresas que só alugam chips

Ao anunciar o financiamento, Musk citou a classificação de crédito da SpaceX e a receita que vem do Starlink e dos lançamentos como razão para o acesso ao dinheiro. E fez uma previsão sobre quem não tem isso: "Nas últimas semanas, os mercados de dívida fecharam quase inteiramente o acesso a dinheiro para qualquer empresa que não tenha receita substancial independente de data centers de IA."

O alvo são as chamadas neoclouds, empresas montadas para alugar capacidade de computação a quem treina modelos de inteligência artificial. Musk escreveu que as mais de 200 companhias desse tipo passarão por uma onda de quebras e consolidação: "Algumas vão sobreviver, mas não muitas." A previsão parte de um concorrente que acabou de obter o financiamento que diz estar fechado para os outros.

O setor já vinha sob pressão antes do post. CoreWeave e Nebius acumulavam queda de 28% em outubro e a IREN caía cerca de 35%, em meio a preocupações com o custo de financiar a construção. No início do mês, a operadora australiana de data centers Firmus retirou seu pedido de abertura de capital, citando volatilidade do mercado. Segundo o Guardian, as ações de empresas do grupo voltaram a cair depois do aviso de Musk.

Meta capta e Anthropic expõe o prejuízo

No mesmo dia do documento da SpaceX, a Meta anunciou planos de levantar até US$ 95 bilhões para financiar "seu negócio principal e as oportunidades emergentes em IA". A captação tem duas partes: US$ 35 bilhões em oferta pública de ações, na qual Nvidia, AMD e Broadcom manifestaram interesse em entrar como investidores âncora, com até US$ 5 bilhões; e US$ 60 bilhões em venda contínua de novas ações a preço de mercado. Os papéis são de uma classe sem direito a voto, criada na semana anterior, o que permite vendê-los sem diluir o controle de Mark Zuckerberg sobre a companhia. A empresa afirma estar "investindo com disciplina financeira".

A Anthropic, por sua vez, entrou com o pedido para listar suas ações na Nasdaq. O documento mostra receita de US$ 16,2 bilhões no primeiro semestre deste ano, contra US$ 1,16 bilhão um ano antes, e prejuízo superior a US$ 80 bilhões no mesmo período, ante US$ 12,9 bilhões. O salto nas perdas decorre principalmente da valorização de títulos que podem ser convertidos em ações da empresa. No próprio texto, a Anthropic afirma ter "histórico de prejuízos" e alerta que pode não gerar receita suficiente para alcançar lucratividade.

O que fazer com essa informação

O que mudou aqui não é a quantidade de chips comprados, e sim de onde vem o dinheiro que os paga. Vale acompanhar quantas empresas passam a usar dívida e arrendamento de equipamento no lugar do caixa próprio, e com que estrutura: no caso da SpaceX, quem compra os chips é o fundo, e a empresa paga aluguel por cinco anos. Contratos assim transferem para o credor o risco do equipamento, e é razoável esperar que outros pedidos de financiamento apareçam no mesmo formato.

O segundo ponto a observar é se o aperto descrito por Musk se confirma. A tese dele tem um teste objetivo: se as empresas que só alugam capacidade de computação, sem receita vinda de outro lugar, de fato começarem a fechar, a se vender umas às outras ou a adiar aberturas de capital, como já fez a Firmus. O contrário também é verificável, caso alguma delas consiga crédito nos próximos meses.

Por fim, repare na diferença entre os três casos desta semana. A SpaceX obteve dinheiro emprestado apontando receita fora dos data centers; a Meta foi buscar o dinheiro vendendo ações, com fornecedores de chips entre os interessados; a Anthropic abriu os números ao mercado, prejuízo incluído, para captar. São três portas distintas, e cada uma depende de alguém do outro lado disposto a bancar a conta.

Quando você usa um serviço de inteligência artificial no dia a dia, sabe de onde vem o dinheiro que paga os chips por trás dele?

Leia e ouça grátis!

Ao se cadastrar, você ganhará um passe livre de 7 dias grátis para aproveitar tudo que o 12min tem a oferecer.

Quem escreveu o livro?

Agora o 12min também produz conteúdos próprios. 12min Originals é a ferram... (Leia mais)

Aprenda mais com o 12min

6 Milhões

De usuários já transformaram sua forma de se desenvolver

4,8 Estrelas

Média de avaliações na AppStore e no Google Play

91%

Dos usuários do 12min melhoraram seu hábito de leitura

Um pequeno investimento para uma oportunidade incrível

Cresca exponencialmente com o acesso a ideias poderosas de mais de 2.500 microbooks de não ficção.

Hoje

Comece a aproveitar toda a biblioteca que o 12min tem a oferecer.

Dia 5

Não se preocupe, enviaremos um lembrete avisando que sua trial está finalizando.

Dia 7

O período de testes acaba aqui.

Aproveite o acesso ilimitado por 7 dias. Use nosso app e continue investindo em você mesmo por menos de R$14,92 por mês, ou apenas cancele antes do fim dos 7 dias e você não será cobrado.

Inicie seu teste gratuito

Mais de 70.000 avaliações 5 estrelas

Inicie seu teste gratuito

O que a mídia diz sobre nós?