É o início da Terceira Guerra Mundial? - Resenha crítica - 12min Originals
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É o início da Terceira Guerra Mundial? - resenha crítica

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Este microbook é uma resenha crítica da obra: 

Disponível para: Leitura online, leitura nos nossos aplicativos móveis para iPhone/Android e envio em PDF/EPUB/MOBI para o Amazon Kindle.

ISBN: 

Editora: 12min

Resenha crítica

A pergunta apareceu em todo lugar nas últimas duas semanas. No grupo da família. No Twitter. No balcão do bar. Nos títulos dos jornais. Desde que os Estados Unidos e Israel lançaram ataques conjuntos contra o Irã no dia vinte e oito de fevereiro de dois mil e vinte e seis, matando o líder supremo Ali Khamenei e destruindo boa parte da infraestrutura militar iraniana, o mundo inteiro quer saber... é o começo da Terceira Guerra Mundial?

A resposta curta é não. Pelo menos não agora. Mas a resposta longa é mais complicada, mais importante e merece mais do que um título de jornal. Porque o fato de não estarmos numa guerra mundial hoje não significa que os riscos sejam pequenos. E entender a diferença entre uma guerra regional gravíssima e uma guerra mundial é essencial pra tomar decisões com a cabeça no lugar.

Primeiro, o que está acontecendo de fato.

Os ataques americanos e israelenses, batizados de Operação Epic Fury, destruíram em poucos dias as defesas aéreas do Irã, boa parte da sua marinha, bases de mísseis balísticos e instalações nucleares. Prédios do governo em Teerã foram atingidos, incluindo o complexo da liderança suprema, a sede do parlamento, o Conselho de Especialistas e a sede da emissora estatal. A OMS identificou treze instalações de saúde iranianas atingidas. Patrimônios da UNESCO foram danificados. O Crescente Vermelho iraniano reportou milhares de vítimas civis.

Do lado iraniano, a resposta veio com mísseis e drones contra bases americanas na região, contra Israel e contra países vizinhos do Golfo. O Irã declarou o Estreito de Ormuz fechado e atacou navios na região, incluindo um navio americano no porto do Bahrein. Seis militares americanos morreram num ataque a uma instalação no Kuwait. O Hezbollah lançou ataques coordenados contra Israel. Milícias iraquianas ameaçaram bases americanas. Os Houthis do Iêmen sinalizaram que entrariam no conflito. O Qatar suspendeu a produção de gás natural liquefeito após um ataque de drone.

O petróleo disparou para perto de cento e vinte dólares o barril. A AIE liberou quatrocentos milhões de barris das reservas estratégicas. Bolsas caíram. Preços de alimentos e combustíveis subiram no mundo inteiro.

É grave. É assustador. E é a maior disrupção de oferta de energia da história moderna.

Mas é uma guerra mundial?

A Foreign Policy publicou uma análise que define quatro critérios para que um conflito seja classificado como guerra mundial. Primeiro... todas ou a maioria das grandes potências precisam estar em confronto direto entre si. Segundo... as operações militares precisam ter escopo global, acontecendo em dois ou mais continentes. Terceiro... as potências precisam mobilizar uma parcela considerável dos seus recursos militares. Quarto... o conflito precisa alterar de forma permanente a ordem internacional.

Nenhum desses quatro critérios está sendo cumprido hoje.

Os Estados Unidos estão bombardeando o Irã, mas não estão em guerra com a Rússia ou a China. O conflito está concentrado no Oriente Médio. Nenhuma grande potência mobilizou suas forças de forma total. E embora o impacto econômico seja sério, a ordem internacional segue funcionando... com tensões, sim, mas sem ruptura.

A Rússia condenou os ataques e forneceu inteligência ao Irã, incluindo dados sobre a posição de navios americanos. Mas não enviou tropas, não transferiu armas de grande porte e não entrou no combate. A Carnegie Endowment for International Peace explicou que Moscou simplesmente não tem recursos para isso... seus sistemas de defesa aérea, aviões e mísseis estão todos comprometidos na guerra da Ucrânia. Além disso, o Kremlin ainda está negociando com Washington e não quer inviabilizar esse processo.

A China foi ainda mais cautelosa. Condenou os ataques, pediu cessar-fogo, apoiou uma reunião de emergência no Conselho de Segurança da ONU e mandou enviados diplomáticos para a região. Mas não ofereceu apoio militar concreto. A prioridade de Pequim, segundo analistas da Teneo e da Carnegie, é sobreviver à presidência Trump sem uma guerra comercial ampla. A China sabe que mesmo que o regime iraniano caia, qualquer governo sucessor vai precisar continuar vendendo petróleo... e a China é o principal comprador.

Esse é o ponto central. Na hora da maior crise do Irã, seus dois maiores parceiros estratégicos ficaram de braços cruzados. A Rússia ofereceu condolências. A China ofereceu diplomacia. Nenhum dos dois ofereceu o que realmente importava pro Iran... proteção militar.

Mas se não é uma guerra mundial, por que tanta gente sente que é?

Porque o conflito tem características que lembram os cenários que sempre associamos a guerras maiores. Há uma grande potência envolvida diretamente. Há armas nucleares na equação... o Irã estava perto de ter capacidade nuclear, e o chanceler russo Lavrov alertou que a guerra pode estimular uma corrida nuclear no Oriente Médio, já que países árabes agora veem o que acontece com quem não tem a bomba. Há um estreito estratégico fechado, afetando vinte por cento da oferta global de energia. Há proxies espalhados por vários países, do Líbano ao Iêmen, do Iraque à Síria. E há a Rússia alimentando o Irã com inteligência em tempo real enquanto a China fornece tecnologia de radar e navegação.

É o tipo de conflito que, há algumas décadas, poderia ter escalado para algo muito maior. A diferença é que em dois mil e vinte e seis, as potências que poderiam transformar isso numa guerra mundial têm incentivos fortes demais para não fazê-lo.

A Rússia está atolada na Ucrânia, com a economia sob pressão de sanções, e já perdeu três aliados em quinze meses... a Síria, a Venezuela e agora potencialmente o Irã. Entrar numa segunda frente de guerra seria suicídio estratégico.

A China depende do comércio global e das rotas marítimas que passam exatamente pela região em conflito. Uma guerra aberta com os Estados Unidos destruiria sua economia. Pequim está jogando o jogo longo... comprando petróleo com desconto, posicionando-se como mediador e esperando para ser o ator mais influente num Irã pós-guerra.

E os Estados Unidos, por sua vez, enfrentam eleições de meio de mandato ainda este ano. A Operação Epic Fury custa quase novecentos milhões de dólares por dia, segundo o CSIS. Trump declarou que a guerra duraria no máximo quatro semanas. O incentivo para encerrar rapidamente é enorme.

Existem riscos reais de escalada? Sim. Vários.

O primeiro é o risco de incidente. Quando navios americanos, drones iranianos, mísseis do Hezbollah e tecnologia russa operam no mesmo espaço, a possibilidade de um ataque que atinja o alvo errado e provoque uma reação em cadeia é real. Os seis militares americanos mortos no Kuwait por um drone que acertou uma instalação cujas coordenadas não aparecem em nenhum mapa público já mostram como a informação russa está chegando perto demais.

O segundo é o risco de proliferação nuclear. Se o resultado da guerra for que o Irã, justamente por não ter a bomba, foi devastado... outros países da região vão tirar a conclusão óbvia. Lavrov disse exatamente isso. E uma corrida nuclear no Oriente Médio muda o jogo por completo.

O terceiro é o risco de fragmentação. O Irã tem células dormentes em vários países. O Qatar prendeu membros de uma célula iraniana no início de março. Os Houthis estão prontos para atacar no Mar Vermelho. O modelo de "defesa avançada" do Irã, usando proxies espalhados pela região, pode se transformar num modelo de terrorismo descentralizado se o regime cair.

E o quarto é o risco de longo prazo. Se o regime iraniano sobreviver, sairá da guerra mais fraco, mais isolado e potencialmente mais radical. Se cair, o vácuo de poder pode gerar instabilidade que dure anos... ou décadas. A história do Iraque pós-invasão não é encorajadora.

O que fazer com essa informação

É importante separar três coisas que estão misturadas na cabeça de muita gente agora.

Uma guerra regional gravíssima é o que estamos vivendo. Ela tem impacto real na sua vida... no preço do combustível, da comida, nos mercados financeiros, no humor do mundo. Mas ela tem limites geográficos e políticos que por enquanto impedem a escalada para algo maior.

Uma crise econômica global de proporções sérias é uma possibilidade real se o Estreito de Ormuz ficar fechado por tempo prolongado. A Oxford Economics projetou que o conflito não deve durar mais que dois meses. A AIE liberou reservas. Mas se a situação se agravar, os efeitos sobre inflação, juros e crescimento serão sentidos por todo mundo.

Uma Terceira Guerra Mundial exigiria que Rússia, China ou ambas entrassem em confronto direto com os Estados Unidos. Hoje, nenhuma das duas tem capacidade, incentivo ou disposição para fazer isso. O cenário de guerra mundial não é impossível... mas é improvável, e depende de uma cadeia de erros de cálculo que ainda não aconteceu.

Para quem quer agir com base nisso... acompanhe três indicadores. O preço do petróleo, que funciona como termômetro da gravidade do conflito. O tráfego no Estreito de Ormuz, que indica se a situação está melhorando ou piorando. E as declarações oficiais da China... não as da Rússia, que fala muito e age pouco, mas as da China, que fala pouco e age com consequência. Se Pequim mudar de tom, de diplomacia cautelosa para confronto aberto, aí sim o cenário muda de figura.

Enquanto isso, não é hora de pânico. É hora de atenção.

A história mostra que guerras mundiais não começam porque alguém apertou um botão. Elas começam quando uma série de erros de cálculo, compromissos de aliança e escaladas não planejadas se acumulam até que ninguém consiga mais voltar atrás. A Primeira Guerra Mundial começou com um assassinato em Sarajevo que ninguém achou que levaria a nada. Quatro anos e vinte milhões de mortos depois, todo mundo se perguntava como aquilo tinha acontecido.

O mundo de dois mil e vinte e seis não é o de mil novecentos e quatorze. Mas a lição continua valendo. O perigo de uma guerra maior não está nos planos de ninguém. Está nos acidentes, nos mal-entendidos e na arrogância de achar que tudo vai sair conforme o roteiro.

Por enquanto, o roteiro segue o de uma guerra regional. Violenta, cara e desestabilizadora. Mas regional. E a distância entre uma guerra regional e uma guerra mundial é enorme... desde que ninguém tropece no caminho.

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