Estamos mesmo indo muito rápido? - Resenha crítica - 12min Originals
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371 leituras ·  4 avaliação média ·  185 avaliações

Estamos mesmo indo muito rápido? - resenha crítica

Tecnologia e Inovação, translation missing: br.categories_name.artificial_intelligence e translation missing: br.categories_name.radar-12min

Este microbook é uma resenha crítica da obra: 

Disponível para: Leitura online, leitura nos nossos aplicativos móveis para iPhone/Android e envio em PDF/EPUB/MOBI para o Amazon Kindle.

ISBN: 

Editora: 12min

Resenha crítica

Tem uma cena em "De volta para o futuro" em que o doutor Brown ergue os olhos, ajusta o painel do DeLorean para o dia vinte e um de outubro de dois mil e quinze... e Marty pergunta sobre a estrada. A resposta virou frase de camiseta... "estradas? Para onde vamos, não precisamos de estradas." O filme prometia carros voadores, hoverboards, jaquetas que secavam sozinhas. Era mil novecentos e oitenta e cinco, e aquilo soava como delírio de roteirista. Apesar de alguns de nós, tínhamos realmente esperança disso acontecer. 

A parte estranha é que, quando aquela data finalmente chegou, ninguém parou para comemorar. O futuro tinha vindo... só que pela porta dos fundos, sem alarde, uma de quinta-feira comum.

Pensa no que mudou desde a virada do milênio. Em dois mil, fazer uma ligação com imagem era coisa que só os Jetsons faziam, entre um café e outro. Hoje você abre o celular, fala com alguém do outro lado do planeta, de graça, vendo o rosto da pessoa em alta definição... e ainda reclama se a imagem trava por dois segundos.

Em dois mil e três, cientistas terminaram de ler o genoma humano pela primeira vez. Foram treze anos de trabalho e bilhões de dólares para soletrar aquele código que cabe dentro de cada uma das suas células. Hoje, sequenciar um genoma custa algumas centenas de dólares e leva menos de um dia. Não é um detalhe técnico... é a diferença entre tratar uma doença no escuro e tratá-la sabendo exatamente onde mirar.

Em dois mil e sete, um telefone com tela de vidro e sem teclado foi anunciado num palco, e muita gente riu. Era caro, era estranho, parecia um luxo desnecessário. Aquele objeto se tornou a coisa que você toca antes de qualquer pessoa de manhã. Dentro dele coube a câmera, o mapa, o banco, o cinema, o rádio, a carta, a praça pública. A revolução não veio com trompetes... veio no bolso.

Em dois mil e quinze, justamente o ano para onde Marty viajou, uma empresa conseguiu pela primeira vez pousar de volta um foguete depois de lançá-lo ao espaço. Por décadas, todo foguete era descartável, como rasgar o avião inteiro depois de cada voo. Hoje, ver um foguete subir e voltar pousando de pé, em cima das próprias chamas, virou quase rotina. A gente nem assiste mais ao vivo.

E tem a inteligência artificial, claro. Por anos ela foi aquela promessa que nunca chegava... até que chegou. De repente, em poucos meses, máquinas começaram a escrever, desenhar, programar, conversar. O salto foi tão rápido que não deu tempo de a gente se assustar direito antes de já estar usando aquilo para responder e-mail e resumir reunião.

Aqui vale uma pausa para a piada que o universo nos serviu de bandeja. Diziam que, no futuro, o grande assunto seriam os aliens. Pois o governo americano resolveu jogar mais lenha nessa fogueira... e em maio de dois mil e vinte e seis começou a liberar arquivos oficiais sobre fenômenos aéreos não identificados. Fotos, vídeos, relatos militares de décadas, guardados a sete chaves. Antes que alguém compre fantasia de marciano... não, ninguém confirmou disco voador com motorista verde. A maioria dos casos segue sem explicação, e os que se explicam costumam virar drone ou balão. Mas a lição é mais interessante do que o ufólogo gostaria. Aquilo que parecia tabu absoluto, papo de gente excêntrica, hoje é documento público discutido a sério, por gente de terno. O limite do que a gente pode sequer perguntar em voz alta também se move. E se move rápido.

Agora repara num detalhe que o cinema acertou e a gente fingiu não ver. Os carros voadores chegaram. Não na garagem de todo mundo... mas Dubai se prepara para abrir, ainda em dois mil e vinte e seis, o primeiro serviço comercial de táxi aéreo elétrico do mundo. A China já opera voos de passageiros com esse tipo de aeronave desde dois mil e vinte e três. E os Estados Unidos planejam começar testes com passageiros neste mesmo ano, espalhados por mais de vinte estados. Grandes drones, silenciosos, decolando na vertical como helicópteros sem o barulho. O futuro do roteirista de oitenta e cinco existe... só não foi distribuído por igual ainda.

E é aqui que a emoção mora, sem precisar de violino. Cada um desses saltos pareceu impossível na véspera e óbvio no dia seguinte. A gente tem uma capacidade absurda de transformar milagre em paisagem. O telefone na sua mão é mais poderoso que os computadores que levaram o homem à Lua... e você usa, na maior parte do tempo, para ver vídeo de gato. Não é cinismo. É a prova de que a gente se acostuma com qualquer coisa, e isso é, ao mesmo tempo, a nossa força e a nossa cegueira.

Então o que esperar até dois mil e cinquenta? Aqui o terreno fica mais escorregadio, e é honesto admitir. Mas há pistas sólidas na ciência, não no chute.

A energia de fusão, aquela que alimenta o Sol e que por décadas esteve sempre "a trinta anos de distância", recebeu mais de sete bilhões de dólares de investimento privado só até dois mil e vinte e cinco. Pode não resolver tudo de uma vez. Mas a aposta séria é que ela comece a entrar na rede elétrica nas próximas décadas... energia limpa, quase ilimitada, do mesmo princípio que faz uma estrela brilhar.

A medicina caminha para tratar o envelhecimento não como destino, mas como condição a ser administrada. Terapias regenerativas, edição genética que já cura hoje doenças hereditárias antes consideradas sentença, expectativa de vida que não para de subir. Ninguém sério promete imortalidade. Mas viver bem além dos cem anos deixou de ser absurdo de palco para virar hipótese de laboratório.

E há as interfaces que ligam cérebro e máquina, em testes médicos para devolver movimento e fala a quem perdeu. Há a corrida de volta à Lua, dessa vez com a ideia de ficar. Há o computador quântico ajudando a achar, em horas, remédios que levariam séculos pelo método antigo.

Nada disso é carro voador na garagem de cada um amanhã de manhã. O futuro raramente chega com a embalagem que a gente imaginou. Ele chega torto, atrasado em algumas coisas, adiantado em outras, quase sempre mais discreto do que o trailer prometia.

E talvez por isso valha lembrar de Douglas Adams, que entendia de futuro melhor que muito futurólogo. Ele dizia, mais ou menos assim... que tudo que já existe no mundo quando você nasce é só normal. Tudo que é inventado até você fazer trinta e cinco anos é empolgante e novo. E tudo que vem depois disso é contra a ordem natural das coisas. O DeLorean não veio. Mas o táxi voador, sim. O alien não pousou. Mas o arquivo dele foi aberto. A gente segue em frente, como ele escreveria, sem precisar entrar em pânico... carregando a toalha, olhando para um céu que finalmente começou a responder algumas perguntas... e inventando outras tantas para fazer pelo caminho.

O QUE FAZER COM ESSA INFORMAÇÃO

Se você é do tipo que quer transformar isso em vantagem prática: Mapeie uma única tecnologia desta lista que toca a sua área e dedique trinta minutos esta semana para entender onde ela está hoje, não onde estará em dois mil e cinquenta. A vantagem competitiva quase nunca está em prever o futuro distante. Está em enxergar, antes dos outros, o que já saiu da ficção e virou ferramenta disponível.

Se você prefere construir devagar e com consistência: Não há nada aqui que exija uma virada brusca de vida. O ponto é o oposto. A maior parte dessas mudanças entrou na rotina das pessoas sem grande esforço, um hábito por vez. Escolha uma única curiosidade do texto, leia uma matéria boa sobre ela neste mês, e deixe o assunto decantar. Conhecimento, como juros, compõe.

Se você costuma se cobrar por estar sempre atrasado em relação ao mundo: Talvez o alívio do texto seja este. Ninguém acompanhou tudo. As mesmas pessoas que usam inteligência artificial todo dia não fazem ideia de como o foguete pousa. Acompanhar o futuro inteiro não é trabalho de uma vida só. Reparar em uma coisa de cada vez, no seu ritmo, já é mais do que suficiente.

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