Novo ano, Novo você, Novos objetivos. 🥂🍾 Comece 2024 com 70% de desconto no 12min Premium!
QUERO APROVEITAR 🤙Operação Resgate de Metas: 63% OFF no 12Min Premium!
Novo ano, Novo você, Novos objetivos. 🥂🍾 Comece 2024 com 70% de desconto no 12min Premium!
Disponível para: Leitura online, leitura nos nossos aplicativos móveis para iPhone/Android e envio em PDF/EPUB/MOBI para o Amazon Kindle.
Editora: 12min
São munições americanas de cerca de 900 quilos, projetadas para serem lançadas de aviões. Os modelos MK-84 e BLU-117 são bombas de propósito geral: detonam no solo ou acima dele e causam dano amplo. Há também a I-2000, uma ogiva penetrante feita para atingir bunkers e estruturas blindadas, que atravessa uma superfície externa como terra, rocha ou concreto e explode com atraso, já do lado de dentro.
O tamanho do efeito é o que explica a controvérsia. A explosão de uma bomba desse porte pode ser letal a mais de 300 metros de distância e abrir uma cratera de até 15 metros de profundidade, segundo o relato publicado por O Globo. Esse tipo de munição é considerado entre os mais destrutivos do arsenal americano, e Israel já foi criticado por empregá-lo com frequência em Gaza e no Líbano. Grupos de direitos humanos e alguns governos estrangeiros condenaram o lançamento dessas bombas em áreas densamente povoadas, em ataques que às vezes mataram dezenas de civis tendo uma única pessoa como alvo.
Israel sustenta que combatentes do Hamas em Gaza e do Hezbollah no Líbano se misturam deliberadamente à população civil, por vezes em túneis e bunkers que exigem munição pesada para serem perfurados, o que obrigaria o país a matar civis e a absorver pressão internacional. Muitos ex-funcionários do governo americano e analistas militares, porém, questionam se Israel descarta alternativas menos destrutivas com rapidez excessiva.
É essa munição que está no centro do pacote revelado nesta semana.
O governo de Donald Trump prepara a venda de cerca de 40 mil dessas bombas a Israel por US$ 2,8 bilhões, o que seria a maior transação americana já feita com esse tipo de munição pesada, segundo informação do The Washington Post publicada em 15 de setembro de 2026 e confirmada por funcionários americanos ouvidos pela AP sob condição de anonimato. O acordo, segundo essas fontes, ainda não é definitivo.
As descrições do conteúdo variam entre os veículos. A AP e o El País falam de 20 mil unidades do MK-84 e 20 mil do BLU-117. Os relatos publicados por O Globo e pela DW mencionam também 20 mil ogivas penetrantes I-2000.
O ponto menos evidente do negócio é quem paga. Embora seja tratado como venda, o pacote é financiado em sua maior parte pelo Financiamento Militar Estrangeiro, mecanismo em que dólares de contribuintes americanos são repassados a Israel, que então usa esse dinheiro para comprar armas dos próprios Estados Unidos. Os EUA fornecem a Israel uma ajuda militar de US$ 3,8 bilhões por ano, dos quais US$ 3,3 bilhões são financiamento usado em grande parte para comprar armamento americano e US$ 500 milhões vão para programas conjuntos de defesa antimísseis.
O Departamento de Estado enviou a proposta a duas comissões do Congresso para obter aprovação informal. Em nota, afirmou que, por política, não confirma nem comenta propostas de venda de armas que ainda não tenham sido formalmente comunicadas ao Legislativo. Produção e entrega desse tipo de munição normalmente levam meses ou anos, mas existem formas de acelerar o processo.
A comparação com os pacotes anteriores é o que dá tamanho ao anúncio. Estima-se que o governo de Joe Biden tenha vendido cerca de 14 mil dessas bombas depois dos ataques do Hamas em outubro de 2023, segundo a DW. Em maio de 2024, a mesma administração retomou o assunto em outra direção e suspendeu a transferência de cerca de 1.800 unidades, por temor de que fossem usadas em áreas densamente povoadas de Rafah. Trump liberou a remessa dias depois de assumir, em janeiro de 2025.
No ano passado, segundo a AP, o governo Trump contornou o processo normal de revisão do Congresso e aprovou uma venda de quase US$ 3 bilhões a Israel que incluía mais de 35,5 mil dessas bombas. Em janeiro, aprovou uma nova série de vendas de armas ao país, no total de US$ 6,67 bilhões. O pacote atual, portanto, não inaugura nada: ele amplia uma sequência.
O cessar-fogo foi negociado pelos Estados Unidos e está em vigor desde outubro, mas a violência continuou. Segundo a AP, embora os combates mais intensos em Gaza tenham diminuído, Israel segue realizando ataques no território, incluindo alguns na noite de segunda para terça que mataram várias pessoas. Militantes fizeram ataques a tiros contra tropas israelenses, e Israel afirma que seus bombardeios respondem a essas e a outras violações do acordo. No mês passado, Jared Kushner, genro de Trump e negociador central no Oriente Médio, se reuniu com Benjamin Netanyahu e pediu que Israel reduzisse seus ataques. No Líbano, onde vigora um cessar-fogo desde junho, Israel também continua atacando, e as conversas diplomáticas com o governo libanês, mediadas por Washington, foram adiadas para outubro, em Roma.
O apoio público americano a Israel caiu desde o início da guerra em Gaza. Uma pesquisa da Universidade Quinnipiac feita em junho encontrou 48% dos eleitores e 66% dos democratas dizendo que os Estados Unidos apoiam Israel em excesso, contra 16% e 20% quando a pergunta foi feita pela primeira vez, em 2017. O ataque liderado pelo Hamas em 7 de outubro de 2023 matou cerca de 1.200 pessoas e levou 251 reféns; a ofensiva israelense já matou mais de 73.264 palestinos, incluindo os mortos desde o cessar-fogo, segundo o Ministério da Saúde de Gaza. Uma investigação da ONU concluiu que Israel cometeu genocídio, acusação que o país rejeita, afirmando agir em legítima defesa.
A oposição à venda deve ser forte entre democratas no Congresso, alguns dos quais já pediram o fim de toda a ajuda americana a Israel. A novidade é que a crítica também cresceu entre apoiadores tradicionais de Trump. O ex-apresentador da Fox News Tucker Carlson publicou nas redes sociais uma longa crítica em que condenou Israel pelo que chamou de "massacre" de palestinos em Gaza e afirmou que mais poder destrutivo daria a Israel mais segurança para agir e alimentaria o conflito com o Irã, iniciado conjuntamente por Washington e Tel Aviv em fevereiro. "Se você quisesse prolongar a guerra com o Irã por um futuro indefinido, é exatamente isso que faria", escreveu. Netanyahu deve discursar na semana seguinte ao anúncio na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York.
Mesmo que líderes do Congresso digam ao governo que se opõem ao negócio, o secretário de Estado Marco Rubio pode usar poderes de emergência para levar a venda adiante, como já fez repetidamente, ou simplesmente declarar que dará continuidade a ela e anunciar formalmente a operação, pulando a etapa de aprovação informal. Nesse cenário, Câmara e Senado precisariam aprovar uma resolução para bloquear o acordo, com o apoio de dois terços de cada Casa para superar um eventual veto presidencial. O caminho não é exclusivo de Trump: o governo Biden também declarou emergência na região para contornar o Congresso e acelerar duas remessas de armas a Israel durante a guerra, uma com 13 mil projéteis para tanques e outra com munições de artilharia.
O primeiro marcador a acompanhar é se o Departamento de Estado formaliza a notificação ao Congresso. Enquanto isso não acontece, o governo mantém a política de não comentar, e a venda permanece no estágio de aprovação informal em duas comissões. Se a notificação formal sair, o segundo marcador é o Legislativo: vale observar se parlamentares apresentam resolução para bloquear o acordo, lembrando que o obstáculo não é a maioria simples, e sim os dois terços em cada Casa necessários para resistir a um veto.
O terceiro é o discurso de Netanyahu na Assembleia Geral da ONU, que ocorre logo depois da divulgação do pacote e é a primeira oportunidade pública de leitura do estado da relação entre os dois governos, marcada por atritos recentes sobre as operações israelenses em Gaza, no Líbano e no Irã. O quarto é a reação dentro da própria base de Trump: a crítica de Tucker Carlson indica que a dissidência sobre Israel deixou de ser apenas democrata, e a pergunta aberta é se ela se traduz em pressão política concreta.
O quinto serve de termômetro sobre o cessar-fogo. Como a produção e a entrega dessas munições levam meses ou anos, o ritmo dos ataques israelenses em Gaza e no Líbano nas próximas semanas diz mais sobre o acordo em vigor do que o anúncio da venda. E o calendário diplomático dá um ponto de checagem: a próxima rodada formal de negociações entre Israel e Líbano, mediada pelos Estados Unidos, está marcada para outubro, em Roma.
Ao se cadastrar, você ganhará um passe livre de 7 dias grátis para aproveitar tudo que o 12min tem a oferecer.
Agora o 12min também produz conteúdos próprios. 12min Originals é a ferram... (Leia mais)
De usuários já transformaram sua forma de se desenvolver
Média de avaliações na AppStore e no Google Play
Dos usuários do 12min melhoraram seu hábito de leitura
Cresca exponencialmente com o acesso a ideias poderosas de mais de 2.500 microbooks de não ficção.
Comece a aproveitar toda a biblioteca que o 12min tem a oferecer.
Não se preocupe, enviaremos um lembrete avisando que sua trial está finalizando.
O período de testes acaba aqui.
Aproveite o acesso ilimitado por 7 dias. Use nosso app e continue investindo em você mesmo por menos de R$14,92 por mês, ou apenas cancele antes do fim dos 7 dias e você não será cobrado.
Inicie seu teste gratuito



Agora você pode! Inicie um teste grátis e tenha acesso ao conhecimento dos maiores best-sellers de não ficção.