Gerenciamento de Tempo - Resenha crítica - Brian Tracy
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Gerenciamento de Tempo - resenha crítica

Desenvolvimento Pessoal

Disponível para: Leitura online, leitura nos nossos aplicativos móveis para iPhone/Android e envio em PDF/EPUB/MOBI para o Amazon Kindle.

ISBN: 9786584795266

Editora: Editora Hábito

Resenha crítica

Você já terminou um dia exausto, com a sensação estranha de não ter feito nada que realmente importasse? Respondeu e-mails, atendeu ligações, participou de reuniões, e mesmo assim foi dormir com a lista intacta. Essa sensação tem menos a ver com falta de horas e mais com uma escolha que você não fez: decidir, antes de começar, o que merecia o seu dia.

Brian Tracy passou décadas estudando pessoas altamente produtivas e chegou a uma conclusão incômoda. Elas não trabalham mais rápido que você. Elas trabalham em coisas diferentes. Enquanto a maioria se afoga em tarefas que não mudam nada, essas pessoas identificam o punhado de atividades que produz quase todo o resultado e protegem esse punhado com uma teimosia quase agressiva.

A boa notícia é que isso se aprende. Tracy afirma que é possível ganhar duas horas produtivas por dia, ou até dobrar a sua produção, sem acrescentar um minuto ao expediente. O preço é desconfortável: aceitar que a maior parte do que você faz hoje pode simplesmente desaparecer sem prejuízo nenhum.

Nas próximas páginas você vai ver como a sensação de controle sustenta sua autoestima, como pensar no papel multiplica sua energia, como podar a lista diária até sobrar o essencial e como blindar as horas em que seu cérebro rende de verdade. É menos sobre correr. É sobre escolher primeiro.

Por que o controle do tempo mexe com sua autoestima

Pense em dois dias seus. No primeiro, você escolheu a tarefa difícil logo cedo e a terminou antes do almoço. No segundo, foi arrastado de um pedido urgente a outro até o fim da tarde. Ambos tiveram oito horas. Mas você foi para casa se sentindo uma pessoa diferente em cada um deles.

Tracy chama isso de Lei do Controle: você se sente bem consigo mesmo na exata medida em que sente que comanda a própria vida. Quem acredita que as rédeas estão nas suas mãos tem o que os psicólogos chamam de locus de controle interno. Quem acha que o chefe, o trânsito e as circunstâncias mandam vive com um locus externo — e paga em estresse e ansiedade. Não é frescura. É a diferença entre dirigir e ser levado.

O detalhe cruel é que sua crença vira realidade. Se você repete para si mesmo que é desorganizado, nenhuma agenda, aplicativo ou planilha vai salvar o seu dia. Tracy sugere algo simples e quase constrangedor de tão direto: trocar a frase interna. Diga que é organizado e produtivo, se imagine agindo assim, aja como se já fosse essa pessoa. O comportamento costuma seguir a imagem que você carrega de si.

Eficiência sem propósito só aumenta a frustração

Imagine alguém que corta vinte minutos do próprio expediente otimizando relatórios que ninguém lê. Ficou mais eficiente. E mais infeliz. Tracy insiste que gerenciar tempo é gerenciar vida, e que qualquer ganho de velocidade em algo sem sentido só amplifica a sensação de estar no lugar errado.

A maior parte do estresse, diz ele, nasce de fazer uma coisa enquanto se acredita em outra. Quem ama o que faz raramente reclama de pressão. Por isso a pergunta inicial não é "como faço mais rápido?", e sim "por que estou fazendo isso?". Um exercício útil: complete frases como "eu sou...", "a vida é...", "meu maior objetivo é...". As respostas revelam onde seu tempo deveria estar.

Daniel Kahneman, em Thinking, Fast and Slow, descreveu dois modos de pensar: o rápido, automático, que dá conta da rotina, e o lento, deliberado, que serve para decisões grandes. O erro clássico é usar o modo rápido para escolher a direção da própria carreira. Stephen Covey resumia a saída numa frase: comece com o fim em mente. Antes de acelerar, decida para onde.

Pense dez anos à frente e volte caminhando

O Dr. Edward Banfield, de Harvard, investigou durante anos o que separava pessoas que subiam na vida das que ficavam paradas. Encontrou um fator acima de todos: a perspectiva de longo prazo. Quem prospera pensa em dez, quinze, vinte anos adiante. Quem estagna pensa até sexta-feira.

A aplicação prática é mais simples do que parece. Projete-se no futuro e descreva com detalhe a vida e o trabalho que você quer ter daqui a uma década. Agora olhe de lá para cá e pergunte: o que precisou acontecer para chegar aqui? Esse olhar de trás para frente transforma um sonho vago numa sequência de passos que começam hoje de manhã.

Tracy diz que o trabalho mais valioso que você faz é pensar, e recomenda trinta minutos diários, de preferência cedo, só para isso. Sem telefone, sem tela, sem reunião. Parece luxo. Na prática, é o que impede você de passar cinco anos acelerando na direção errada. Decisões de curto prazo ficam absurdamente mais fáceis quando o horizonte longo está claro.

O retorno absurdo de pensar no papel

Existe uma regra que Tracy repete sem cansar: cada minuto gasto no planejamento economiza dez minutos na execução. É um retorno de mil por cento sobre a sua energia, e tudo o que exige é papel e caneta antes de sair correndo. Ação sem planejamento, diz ele, é a causa de praticamente todo fracasso.

O procedimento é direto. Defina o objetivo, liste tudo o que precisa ser feito e organize essa lista duas vezes: por ordem cronológica e por importância. Depois, quatro perguntas: quais obstáculos vão aparecer, que conhecimento falta, de quem você precisa de ajuda e quem é a pessoa mais importante dessa lista. Henry Ford dizia que qualquer meta vira alcançável quando é fatiada em partes pequenas o bastante — e essa é exatamente a mecânica.

Para projetos grandes, Tracy sugere o gráfico PERT, sigla de Técnica de Avaliação e Revisão de Programas. É um desenho do projeto na linha do tempo, feito de trás para frente a partir do prazo final. Você enxerga o que depende do quê, onde está o gargalo e quem responde por cada etapa. Um projeto que parecia esmagador vira uma sequência visível de quinze passos com datas.

A poda radical da lista diária

A ferramenta mais poderosa que Tracy conhece custa zero: a lista do dia seguinte, escrita na noite anterior. Enquanto você dorme, o subconsciente já trabalha nela. Você acorda sabendo por onde começar, em vez de gastar a primeira hora decidindo.

Mas lista sem hierarquia vira armadilha. Entra o Método ABCDE, que classifica cada item pelo tamanho da consequência. A é o que você precisa fazer e tem peso real. B é o que deveria fazer, com consequência leve. C é agradável e inconsequente — o café esticado, a conversa no corredor —, e pode devorar metade do seu expediente. D é o que você delega. E é o que elimina sem dó. A regra de ferro: nunca toque num B enquanto houver um A pendente.

A Robert Half International calculou que boa parte do tempo nos escritórios se perde justamente nos C. Some isso ao Princípio de Pareto, que diz que 20% das suas atividades geram 80% do valor, e a conta fica evidente. Tracy aperta mais com a Lei dos Três: existem três tarefas que respondem por quase todo o valor que você entrega. Pergunte-se qual seria a única coisa que você faria o dia inteiro, depois a segunda, depois a terceira. Essas três são o seu trabalho. O resto é ruído.

Urgência não é importância

Nem toda coisa que grita merece ser atendida. Tracy separa suas tarefas em quatro grupos, e dois deles enganam. Tem o que é urgente e importante, o imediatismo: a crise que precisa de você agora. Tem o importante que não é urgente, onde mora quase todo o avanço real de carreira. Tem o urgente e sem importância, o quadrante de ilusão: o telefone tocando, o colega na porta, a notificação piscando. E tem o que não é nem uma coisa nem outra, puro desperdício.

A maioria das pessoas vive no quadrante de ilusão e vai para casa achando que trabalhou muito. A pergunta que corrige a rota é curta: qual é o uso mais valioso do meu tempo agora? Faça o que é urgente e importante, e no minuto em que ficar em dia, atravesse para o importante que ninguém está cobrando. É lá que a sua capacidade de ganhar dinheiro cresce.

Tracy complementa com as Áreas de Resultado Chave — os cinco a sete domínios que respondem à pergunta "por que estou na folha de pagamento?". Uma área dessas é obrigatória, totalmente sua e sob seu controle. Para um gerente, são coisas como planejar, organizar, delegar e medir. Se você vai mal em uma única delas, ela segura todo o resto. Clareza aqui é o que impede o principal de cair.

Delegue, concentre, comece

Se outra pessoa consegue fazer algo com 70% da sua qualidade, essa tarefa não é mais sua. É a regra dos 70%, e ela existe porque a perfeição em tarefas pequenas é um luxo caríssimo. Delegar é o movimento que tira você do que consegue fazer sozinho e coloca no que consegue multiplicar. Antes de pegar qualquer coisa, pergunte quem mais poderia fazer isso no seu lugar.

Com as mãos livres, vem a segunda metade: foco em ação única. Comece uma tarefa e fique nela até estar 100% pronta. Pegar e largar o mesmo trabalho várias vezes pode multiplicar por cinco o tempo total, porque você se reorienta do zero a cada retorno. O USA Today publicou que a tal multitarefa, que é só troca de tarefas disfarçada, chega a derrubar dez pontos do seu QI ao longo do dia. Você não está fazendo duas coisas. Está fazendo duas coisas mal.

E quando o travamento vem? Tracy observa que todo mundo procrastina — a diferença é no quê. O profissional de alta performance pratica a procrastinação criativa: escolhe deliberadamente adiar o que tem pouco valor. Para o que importa, usa o método da fatia de salame, se comprometendo com um pedacinho de cada vez, e repete com energia a ordem interna "Faça agora!". Começar pequeno é começar.

Blinde as horas em que você rende

Seu cérebro tem um horário nobre interno — normalmente a manhã, às vezes outro momento. É quando o pensamento lento funciona. Tracy é categórico: trabalho importante exige blocos ininterruptos de 60 a 90 minutos, e nunca se deve misturar tarefa criativa com burocracia, porque uma usa uma marcha e a outra usa a oposta. Chegue uma hora mais cedo, trabalhe durante o almoço com o escritório vazio, fique uma hora a mais. São três horas limpas acrescentadas ao dia.

Defender esse bloco significa adotar uma regra simples: trabalhe todo o tempo em que você está no trabalho. Nada de jornal, conversa ou navegação antes de atacar a tarefa principal. Quando alguém aparecer para bater papo, levante-se e diga que precisa voltar ao trabalho. Parece rude na primeira vez. Na terceira, as pessoas já aprenderam a respeitar o seu horário.

O resto se resolve com agrupamento de tarefas. Junte todas as ligações num bloco, todos os e-mails em dois ou três momentos do dia: a curva de aprendizado faz cada item levar até 80% menos tempo. Tim Ferriss, em The 4-Hour Workweek, chegou a checar e-mail uma vez por semana. Julie Morgenstern escreveu um título que diz tudo, Never Check E-Mail in the Morning. E trate o telefone como compromisso agendado — comece sempre perguntando se é um bom momento para conversar.

O ecossistema que alimenta o seu foco

Reuniões consomem de 25% a 50% do tempo de um gestor, e metade disso evapora. Tracy sugere calcular o custo real: multiplique o salário-hora de cada participante pela duração. Uma reunião de uma hora com oito pessoas é um investimento alto para discutir pauta vaga. Convide só quem é essencial, escreva a pauta, comece e termine na hora. Como líder, aplique a regra das duas orelhas e uma boca: ouça o dobro do que fala. E teste as reuniões em pé — ninguém diverga do óbvio com as pernas cansadas.

Abastecer a mente é o outro lado da mesma moeda. Seja implacável com o que lê e use o botão de excluir sem culpa. Um curso de leitura rápida pode triplicar sua velocidade. Para revistas e jornais, vale a técnica de rasgar e ler: arranque só o artigo relevante e leve no bolso para o tempo ocioso. Peter Drucker lembrava que, na sociedade do conhecimento, quem para de aprender fica obsoleto rápido.

E tem a universidade escondida no seu trânsito. Entre 500 a 1000 horas por ano dentro do carro, ouvindo programas de áudio, equivalem a um ou dois semestres universitários. Por último, algo físico: mantenha a mesa limpa, com apenas a tarefa atual à frente. A visão da bagunça reforça no subconsciente a ideia de que você está desorganizado — e essa percepção cobra caro.

Notas finais

Dominar o tempo não é espremer cem atividades inúteis num dia. É ter a coragem de desacelerar para enxergar as três coisas que mudam o jogo e proteger essas três de todo o resto. Quem obedece à urgência alheia passa a vida executando a agenda dos outros. Assumir o controle custa um "não" quase constante — e é exatamente esse "não" que devolve suas horas. O tempo serve a quem escolhe primeiro.

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Quem escreveu o livro?

Brian Tracy é presidente e CEO da Brian Tracy International, uma empresa especializada na formação e desenvolvimento dos indivíduos e organizações. Foi consultado por mais de mil empresas e dirigiu mais de cinco milhões de pessoas em cinco mil palestras e seminários em todo os EUA, Canadá e 55 outros países em todo o mundo. Como um palestrante e líder do seminário, ele se dirige a mais de duzentas e cinquenta mil pessoas a cada ano. Tracy tem estudado, pesquisado, escrito e falado por 30 anos nas áreas de economia, história, negócio, filosofia e psicologia. Ele é o autor mais vendido com seus mais de 45 livros que foram traduzidos para dezenas de línguas. O autor escreveu e produziu mais de 300 programas de aprendizagem de áudio e vídeo em todo o mu... (Leia mais)

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