I Think Therefore I Play - Resenha crítica - Andrea Pirlo
×

Novo ano, Novo você, Novos objetivos. 🥂🍾 Comece 2024 com 70% de desconto no 12min Premium!

QUERO APROVEITAR 🤙
63% OFF

Operação Resgate de Metas: 63% OFF no 12Min Premium!

Novo ano, Novo você, Novos objetivos. 🥂🍾 Comece 2024 com 70% de desconto no 12min Premium!

12 leituras ·  4 avaliação média ·  4 avaliações

I Think Therefore I Play - resenha crítica

Biografias & Memórias, translation missing: br.categories_name.modo_copa e Esportes

Disponível para: Leitura online, leitura nos nossos aplicativos móveis para iPhone/Android e envio em PDF/EPUB/MOBI para o Amazon Kindle.

ISBN: 9781909430167

Editora: BackPage Press

Resenha crítica

Biografia de Andrea pirlo, "I Think Therefore I Play".

Você já tentou imaginar o silêncio dentro da cabeça de um homem caminhando do meio-campo até a marca do pênalti, na final de uma Copa do Mundo, com oitenta mil pessoas prendendo a respiração? Não é o barulho do estádio que pesa. É o oposto: é como se o som sumisse, e sobrasse só você, a bola e a história inteira de um país nas costas.

Esse homem é Andrea Pirlo. E quem o vê de longe enxerga um gênio frio, quase entediado, distribuindo passes impossíveis com a calma de quem está jogando no quintal. Mas por trás dessa frieza mora uma tormenta que poucos imaginam: traumas de infância, transferências bloqueadas nos bastidores, finais perdidas que viraram doença, brincadeiras cruéis no vestiário, racismo nas arquibancadas e uma obsessão quase científica pelos mínimos detalhes do corpo humano.

Nas próximas seções, você vai entrar nesse universo. Vai entender por que um talento desperta inveja antes de despertar aplauso, como uma cavadinha decisiva pode ser pura matemática, e por que, às vezes, a maior coragem de um campeão é dizer "não" a quarenta milhões de euros.

A solidão de quem nasce diferente.

A história começa numa cena estranha. Adriano Galliani, dirigente histórico do Milan, entrega a Pirlo uma caneta Cartier como presente de despedida depois de dez anos de serviço. É um gesto que cheira a sarcasmo: uma caneta cara para assinar a saída de quem ajudou a ganhar tudo. O técnico Massimiliano Allegri tinha avisado que queria tirá-lo da posição em que era genial, lá na frente da defesa, e jogá-lo num papel secundário. Pirlo escutou, sorriu por dentro e foi embora para a Juventus, decidido a provar que sua carreira estava longe do fim.

Mas para entender aquele momento, você precisa voltar bem antes. Nas categorias de base do Brescia, o garoto Andrea era tão diferente dos colegas que despertava algo brutal: inveja. Os meninos da sua idade simplesmente se recusavam a passar a bola para ele. Acusavam o moleque de se achar o "Maradona". Pirlo chorava no campo, depois engolia o choro e jogava sozinho contra o resto do mundo.

Foi o técnico romeno Mircea Lucescu quem entendeu primeiro. Disse: não tente ser igual, segure a bola, distribua, pense. O conselho moldou tudo. Quando o talento incomoda, a saída não é se encolher. É ficar tão bom que ninguém consiga te ignorar.

Reféns nas mãos dos cartolas.

Em 2006, o futebol italiano explodiu. O escândalo do Calciopoli, com manipulação de resultados, ameaçava rebaixar até o Milan. Fabio Capello tinha levado um contrato de cinco anos para Pirlo assinar com o Real Madrid. Estava feito. Era o sonho. Aí Galliani entrou na sala com outro contrato, em branco, e disse: você fica. Pirlo ficou. Ganhou a Liga dos Campeões na mesma temporada, mas o gosto da escolha forçada nunca saiu da boca.

Quatro anos depois, dentro do vestiário do Camp Nou, Pep Guardiola — o tal "Filósofo" — puxou Pirlo de canto e falou baixinho sobre La Masia, sobre posse de bola, sobre o time perfeito. Era um convite direto para vestir a camisa do melhor Barcelona da história. O Milan, de novo, disse não.

E o jogador? O jogador volta para o vestiário do clube atual, faz o aquecimento que sempre fez, joga a partida do fim de semana e finge que a outra vida, aquela que poderia ter, não existe. Carreira de craque é também isso: viver duas vidas ao mesmo tempo, uma real e uma imaginária, ambas roubadas pela caneta de algum dirigente.

A camisa que pesa mais que tudo.

Vestir a seleção italiana, para Pirlo, é dever moral. Ponto. Ele estreou ainda menino no sub-15, jogando fora da idade permitida, e nunca mais relativizou: clube é trabalho, seleção é fé.

Mas essa fé cobra caro. A caminhada do meio-campo até o pênalti na final de 2006, contra a França, é descrita como agonia pura. Pirlo sente o peso de todas as classes sociais da Itália, do operário ao banqueiro, condensado numa única bola parada. Bate. Acerta. Vence. Anos depois, na Euro 2012 contra a Inglaterra, ele dá a famosa cavadinha sobre Joe Hart e o mundo aplaude o exibicionismo. Só que não era exibicionismo. Foi cálculo frio de risco, decidido no último segundo ao perceber o goleiro se antecipando. Pura matemática esportiva, inspirada num lance de Totti.

E nem todos suportam essa pressão do mesmo jeito. Alessandro Nesta chorou inconsolável quando uma lesão o tirou da Copa de 2006. Daniele De Rossi, expulso violentamente contra os Estados Unidos, entrou em depressão e recebeu ameaças públicas. O peso da camisa não destrói só quem perde. Destrói também quem fica de fora.

Extintores de incêndio e treinos contra fantasmas.

O lado luminoso do vestiário aparece nas piadas. Gennaro Gattuso, o volante guerreiro, era alvo predileto. Pirlo e os outros invadiam o quarto dele no meio da noite disparando extintor de incêndio. Provocavam seus erros de gramática em italiano. Gattuso, claro, reagia: saía espancando Pirlo, Nesta e De Rossi com garfos do refeitório. Parece cena de comédia, e é. Mas Pirlo reconhece sem ironia: jogadores como Gattuso são os pilares morais que seguram o vestiário em pé quando as coisas desabam.

Na Juventus, o tom foi outro. Antonio Conte chegou e fez um discurso fulminante no primeiro dia de concentração. Acabou a mediocridade. Acabaram as campanhas medianas. Era hora de resgatar a grandeza bianconera. Conte virou obcecado por vídeo, tática, detalhe, e inventou os treinos de 11 contra nenhum — o time atacava times fantasmas, sem adversário físico, só para automatizar movimento até a perfeição motora.

Conte também tinha posição clara sobre apostas clandestinas: banimento permanente para quem negociasse resultado. Líder transformacional não é o simpático. É o que provoca choque de realidade.

Treinadores, Bola de Ouro e o teatro de Berlusconi.

Antes da Juventus, antes do Milan, houve a Inter caótica do começo de carreira. Pirlo quase foi para o Parma, mas acabou em Milão. Treinou ao lado de Ronaldo Fenômeno e de seu ídolo de infância Roberto Baggio. Foi feliz por dias. Aí veio a roleta russa de treinadores: Simoni, Lucescu, Hodgson, Lippi e finalmente Marco Tardelli, que simplesmente se recusava a escalá-lo. Pirlo pediu para sair. Quando um técnico atrás do outro reescreve a identidade de um jovem jogador, a confiança vira pó.

Anos depois, vendo Lionel Messi e Cristiano Ronaldo monopolizarem a Bola de Ouro, Pirlo enxergou o viés inteiro do prêmio. Quem faz gol leva. Quem constrói, quem defende, quem organiza, fica de fora. Paolo Maldini, exemplo máximo de excelência humana e esportiva, despediu-se sem receber do Milan sequer um cargo à altura. Injustiça crônica do esporte que celebra só o executor final.

E quando Carlo Ancelotti chamou Pirlo para o Chelsea em 2009, Silvio Berlusconi montou um teatro inesquecível em Milanello. Comprou Klaas-Jan Huntelaar e usou o holandês como pretexto retórico: "não posso perder minhas referências". Carisma imperial barrando uma transferência. Ainda no caminho, sobrou espaço para a lembrança cômica do turco Fatih Terim, que conduzia reuniões táticas caóticas e mal traduzidas, priorizando até a televisão sobre os jogadores.

O fantasma de Istambul e os biscoitos Plasmon.

Maio de 2005, final da Liga dos Campeões em Istambul. Milan 3 a 0 no Liverpool no intervalo. No segundo tempo, o impossível: empate, pênaltis, derrota. Pirlo chama aquilo de Síndrome de Istambul, e a descrição é cirúrgica. Sensação de ser fantasma em campo, paralisia mental aguda, vontade real de abandonar o futebol. Insônia coletiva no elenco por dias. Só dois anos depois, na final de Atenas em 2007, contra o mesmo Liverpool, veio a catarse. Mesma equipe, mesmo palco, dessa vez troféu erguido. O esporte, às vezes, é generoso em redenções cíclicas.

Já as superstições do vestiário, Pirlo despreza com humor ácido. Alberto Gilardino guardava chuteiras esburacadas, imundas, porque acreditava em "fluidos mágicos". Filippo Inzaghi tinha rituais intestinais antes dos jogos e comia biscoitos infantis Plasmon religiosamente. O goleiro Sebastiano Rossi proibia qualquer um de passar atrás dele durante o aquecimento. Profissionais milionários blindando insegurança técnica com superstições de criança. O ridículo, para Pirlo, mora aí: não na crença em si, mas em fingir que aquilo é racional.

Marcação kamikaze e a física da maledetta.

Andrea Agnelli, presidente da Juventus, soube unir o vestiário com uma metáfora improvável. Discursou sobre o Milagre de Medinah, a virada histórica da Europa contra os Estados Unidos na Ryder Cup de golfe em 2012. Capturou a atenção total de jogadores que nunca tinham assistido golfe na vida. Grandes executivos mobilizam paixões usando linguagem que parece estranha — e justamente por isso funciona.

Em campo, porém, Pirlo penava contra os "cães de guarda". Park Ji-Sung, do Manchester United, foi escalado uma vez só para anulá-lo. André Schembri, de Malta, fez o mesmo: o "kamikaze de amor". Volantes designados não para jogar, mas para destruir. Pirlo chama isso de ferimento ao princípio criativo do futebol. E aproveita para desmentir, com polidez total, o boato midiático de que teria ascendência Sinti, povo cigano — desmentido sem qualquer demérito à comunidade.

A genialidade técnica veio de uma epifania improvável. Trancado no banheiro, tentando entender as faltas impossíveis de Juninho Pernambucano, Pirlo descobriu o segredo: acertar a bola só com os três primeiros dedos do pé, de baixo para cima, eliminando o giro. Nascia a maledetta, falta de trajetória irregular que viraria assinatura. Engenharia reversa, sozinho, no espelho.

Barbárie nas arquibancadas e ódio como combustível.

Alessandro Del Piero, lenda da Juventus, terminou a carreira no clube relegado ao banco. Suportou em silêncio. Foi tratado com reverência por torcedores rivais em estádios europeus, e ao mesmo tempo enfrentou a barbárie italiana: ônibus do time atacado com tijolos em Nápoles, escoltas policiais como rotina, janelas quebradas. O abismo entre a civilidade esportiva lá fora e a violência institucional dentro de casa é gritante. Pirlo enaltece a infraestrutura do Juventus Stadium como exceção rara.

O racismo nas arquibancadas italianas é outra ferida aberta, e Pirlo é direto: as autoridades não punem. Mario Balotelli é descrito como antídoto vivo: sorriso blindado, ironia, capacidade de silenciar insultos jogando bola. Já Conte fez da hostilidade externa uma arma. Afixava recortes de jornais adversários na porta do vestiário antes dos jogos grandes. Transformava insulto cru em combustível tático. Ódio bem destilado vira foco. Brilhante e perverso ao mesmo tempo.

Tecnologia, dopagem e o número 21.

Antes do peso da reflexão, uma cena leve. Alessandro Matri, companheiro de quarto, era hipocondríaco compulsivo e virou alvo das pegadinhas noturnas de Pirlo. Da risada, o tom muda. Pirlo defende com urgência a adoção da tecnologia de vídeo na arbitragem. Árbitros estão sendo crucificados por câmeras lentas e diretores covardes, enquanto federações se agarram a um tradicionalismo retrógrado. Troquem o orgulho pela humildade, ele pede.

Sobre doping, Pirlo conta de uma partida da Liga dos Campeões em 2004 contra um Deportivo La Coruña incansável, inexplicável. Conta com nojo do caso Lance Armstrong. Defende punições implacáveis. E, ao receber proposta de quarenta milhões de euros do Al-Sadd, no Catar, recusou. Preferiu seguir competindo na elite europeia. O número 21, místico para ele, fechou simbolicamente a história. Lealdade biológica, lealdade financeira, lealdade ao próprio mito pessoal.

O que faz um gênio.

Vitórias históricas germinam muito antes da bola rolar: na coragem de recomeçar, na recusa firme aos cartolas que decidem por você, na obsessão solitária com três dedos do pé. Genialidade é lealdade inegociável aos próprios princípios — e intelecto frio bastando a si mesmo quando todo o resto vacila.

Leia e ouça grátis!

Ao se cadastrar, você ganhará um passe livre de 7 dias grátis para aproveitar tudo que o 12min tem a oferecer.

Aprenda mais com o 12min

6 Milhões

De usuários já transformaram sua forma de se desenvolver

4,8 Estrelas

Média de avaliações na AppStore e no Google Play

91%

Dos usuários do 12min melhoraram seu hábito de leitura

Um pequeno investimento para uma oportunidade incrível

Cresca exponencialmente com o acesso a ideias poderosas de mais de 2.500 microbooks de não ficção.

Hoje

Comece a aproveitar toda a biblioteca que o 12min tem a oferecer.

Dia 5

Não se preocupe, enviaremos um lembrete avisando que sua trial está finalizando.

Dia 7

O período de testes acaba aqui.

Aproveite o acesso ilimitado por 7 dias. Use nosso app e continue investindo em você mesmo por menos de R$14,92 por mês, ou apenas cancele antes do fim dos 7 dias e você não será cobrado.

Inicie seu teste gratuito

Mais de 70.000 avaliações 5 estrelas

Inicie seu teste gratuito

O que a mídia diz sobre nós?