MENOS DE DUAS HORAS! O inacreditável Record mundial da corrida! - Resenha crítica - 12min Originals
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MENOS DE DUAS HORAS! O inacreditável Record mundial da corrida! - resenha crítica

História & Filosofia e translation missing: br.categories_name.radar-12min

Este microbook é uma resenha crítica da obra: 

Disponível para: Leitura online, leitura nos nossos aplicativos móveis para iPhone/Android e envio em PDF/EPUB/MOBI para o Amazon Kindle.

ISBN: 

Editora: 12min

Resenha crítica

No domingo, 26 de abril de 2026, numa manhã fresca em Londres, um homem de trinta anos nascido numa aldeia do vale do Rift, no Quênia, cruzou uma linha de chegada e fez o que durante décadas foi tratado como biologicamente improvável. Ele correu quarenta e dois quilômetros e cento e noventa e cinco metros em menos de duas horas.

Sabastian Sawe terminou a Maratona de Londres em 1 hora, 59 minutos e 30 segundos. Recorde mundial oficial. Primeira vez na história que um ser humano fez isso numa corrida de verdade, com largada aberta, cronômetro homologado e as regras do atletismo internacional.

Mas para entender o que aconteceu no domingo, é preciso recuar um pouco.

A maratona é o esporte mais democrático do mundo. Não precisa de campo, de quadra, de adversário. Só de pernas, estrada e tempo. Segundo a World Athletics, há hoje mais de 800 corridas de maratona cadastradas por ano em todos os continentes. Milhões de pessoas que nunca sonharam em competir profissionalmente colocam tênis e saem para fazer os seus próprios quarenta e dois quilômetros.

E por muito tempo, os especialistas acharam que a barreira das duas horas estava muito além do alcance humano.

Em 2011, quando o recorde mundial era de 2 horas, 3 minutos e 59 segundos, o lendário maratonista etíope Haile Gebrselassie disse que a marca das duas horas poderia ser quebrada em vinte ou vinte e cinco anos. Um gerente de atletismo chamado Glenn Latimer foi mais pessimista: achava que o recorde nunca passaria de 2 horas e 2 minutos. Em 2017, a revista The Economist calculou que, mantendo a taxa histórica de melhora de 9 segundos por ano no recorde, a barreira seria cruzada em 2036. Um estudo da Universidade Monash, de 2019, apostava em 2032, com apenas 10% de chance de acontecer antes disso.

Todos erraram. Por seis anos.

Em 2019, houve um prólogo. Eliud Kipchoge, o maior maratonista da história até então, tentou a façanha num evento especial em Viena, o chamado "Ineos 1:59 Challenge". Ele conseguiu: terminou em 1 hora, 59 minutos e 40,2 segundos. Só que não valeu como recorde. A corrida não era competitiva, o percurso era uma pista de seis milhas percorrida em loop, e Kipchoge tinha quarenta e um corredores se revezando como lebres ao redor dele para cortar o vento. Aquilo foi uma demonstração de engenharia humana, não uma corrida. A World Athletics não homologou.

O recorde oficial continuou avançando. Em 2023, o queniano Kelvin Kiptum correu em 2 horas e 35 segundos em Chicago, uma marca que parecia distante o suficiente para durar anos. Kiptum morreu num acidente de carro em 2024, aos vinte e quatro anos, sem ter tido a chance de tentar ir mais longe.

No domingo passado, Sabastian Sawe não apenas quebrou o recorde de Kiptum. Ele o pulverizou por 65 segundos inteiros, e atravessou a linha das duas horas com trinta segundos de sobra.

Quem é Sawe?

Ele cresceu na região de Uasin Gishu, no Quênia, criado principalmente pela avó, que ele chama de "Koko". Correu em estradas de terra desde criança, como fazem milhares de crianças naquelas montanhas. Não se destacou cedo. Em 2019, chegou atrasado para uma prova de atletismo e acabou correndo os cinco mil metros sem aquecimento, sem plano. Terminou em 13 minutos e 56 segundos, o tempo mais rápido do dia. Foi aí que o treinador italiano Claudio Berardelli prestou atenção nele.

Berardelli é o tipo de treinador que já formou vencedores de Boston, Nova York e campeões mundiais. Ele colocou Sawe num campo de treinamento em Kapsabet, mesclando os métodos tradicionais quenianos com protocolos modernos de recuperação e periodização. Semanas de até 200 quilômetros rodados. Corridas longas de 40 quilômetros. Trabalho específico de velocidade.

Sawe estreou na maratona em dezembro de 2024, em Valência. Ganhou em 2 horas e 2 minutos, a segunda estreia mais rápida da história. Em abril de 2025, ganhou Londres em 2:02:27. Em setembro de 2025, ganhou Berlim em 2:02:16. Quatro maratonas na carreira. Quatro vitórias.

Na manhã do recorde, antes de largar, ele comeu duas fatias de pão com mel e tomou chá. Não pensava nas duas horas, segundo ele mesmo contou depois da prova.

No domingo, Sawe fez a segunda metade da corrida em 59 minutos e 1 segundo. Ele acelerou enquanto todos os outros desaceleraram. Com um quilômetro para o fim, abriu vantagem sobre o segundo colocado e correu sozinho até a linha. Quando viu o tempo no painel, disse que ficou "tão animado" que mal acreditou.

"É um dia para lembrar para mim," disse ele. "O que aconteceu hoje não é só para mim, é para todos nós que estávamos em Londres."

O segundo colocado merece uma menção especial.

Yomif Kejelcha é etíope, tem vinte e oito anos, e no domingo correu sua primeira maratona da vida. Primeira. Debutou para a história com 1 hora, 59 minutos e 41 segundos, o segundo tempo mais rápido já registrado num maratona competitiva. Ele correu ao lado de Sawe quase até o quilômetro 41, perdeu por onze segundos, e ainda assim quebrou o recorde mundial anterior com folga. Nas redes sociais, logo apareceram comentários de que Kejelcha foi o maior segundo colocado da história do esporte... e que ninguém poderia culpá-lo por estar em segundo numa corrida em que o primeiro foi o melhor de todos os tempos, até agora.

O que esse resultado significa para além do número?

Tem dois lados nessa história, e vale olhar para os dois com calma.

Do lado positivo, o feito de Sawe funciona como prova de que o limite humano é sempre provisório. Cada barreira que se julgou intransponível acabou sendo cruzada quando o treinamento, a tecnologia e as condições se alinharam. A maratona feminina tem uma história parecida: em 1967, uma mulher precisou se inscrever com iniciais para não ser barrada na corrida de Boston. Hoje, as melhores mulheres correm próximo de 2 horas e 9 minutos. O progresso não costuma pedir licença.

Do lado que exige cautela, há perguntas legítimas que a comunidade do atletismo está fazendo em voz alta. Os tênis de corrida de tecnologia avançada, com placas de carbono e espumas de retorno de energia, mudaram a equação da maratona de maneira significativa nos últimos anos. Parte da comunidade defende regulação mais rígida sobre o equipamento, argumentando que o que se mede hoje não é exatamente o mesmo que se media há vinte anos. Além disso, o atletismo queniano convive há anos com casos de doping. Sawe passou por 25 testes antidoping fora de competição entre a Berlim de 2025 e a Londres de 2026, todos negativos, mas o ceticismo existe e é compreensível.

Nenhum desses pontos apaga o que aconteceu no domingo. Mas são parte da conversa honesta sobre o esporte.

O QUE FAZER COM ESSA INFORMAÇÃO

A corrida de Sabastian Sawe não é só notícia esportiva. É uma janela para entender como os limites funcionam, e o que acontece quando alguém os ignora.

Cenário 1: você corre ou pretende começar. O recorde de Sawe não tem aplicação prática para quem treina para terminar uma meia maratona. Mas o princípio tem. Ele estreou na maratona aos 29 anos, com uma rotina estruturada e um bom treinador. A mensagem prática é que consistência num volume controlado, boa recuperação e um plano de progressão fazem mais do que talento bruto solto sem estrutura.

Cenário 2: você acompanha o mercado de esportes e investimentos. O tênis de corrida com placa de carbono virou uma indústria bilionária. Nike, Adidas e outras marcas competem agressivamente por parcerias com atletas de elite e pelo mercado amador que tenta imitar os profissionais. O desempenho de Sawe, calçando Adidas, vai ter impacto direto na corrida comercial entre as marcas.

Cenário 3: você está interessado em como as previsões científicas erram. Os modelos que projetavam 2032 ou 2036 para a quebra da barreira das duas horas não foram ingênuos. Eles usavam dados reais e metodologias sérias. O problema é que previsões sobre performance humana costumam subestimar saltos quando surgem novos métodos de treinamento ou nova tecnologia. Vale guardar esse episódio como referência da próxima vez que alguém apresentar uma projeção como certeza.

A corrida mais longa da história ficou um pouco mais curta neste domingo. Trinta segundos abaixo do impossível.

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