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Este microbook é uma resenha crítica da obra:
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Editora: 12min
Tem um dado que resume bem o que está acontecendo com o cinema brasileiro agora. Em dois mil e vinte e cinco, O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, ganhou quatro prêmios no Festival de Cannes... incluindo Melhor Diretor e Melhor Ator, para Wagner Moura. Um ano antes, Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, tinha levado o primeiro Oscars de filme internacional da história do Brasil. E agora, neste domingo, quinze de março de dois mil e vinte e seis, o país volta ao Dolby Theatre com quatro indicações ao Oscars... entre elas Melhor Filme e Melhor Ator.
É a primeira vez que um brasileiro é indicado a Melhor Ator na história da Academia. Se O Agente Secreto vencer na categoria de Melhor Filme Internacional, será a primeira vez em quase quarenta anos que um país leva o prêmio duas vezes seguidas. A última vez que isso aconteceu foi com a Dinamarca, entre mil novecentos e oitenta e sete e oitenta e oito.
Pra entender o que esse momento significa, vale recuar um pouco... e olhar pra estrada que trouxe o cinema brasileiro até aqui.
A relação do Brasil com Hollywood é mais antiga do que parece. Em mil novecentos e quarenta e cinco, o compositor Ary Barroso foi indicado ao Oscars de Melhor Canção Original por Rio de Janeiro, escrita para um musical americano.
Mas o primeiro filme com DNA fortemente brasileiro a ganhar a estatueta foi Orfeu Negro, em mil novecentos e sessenta... uma coprodução franco-italiana ambientada numa favela carioca durante o Carnaval, com trilha de Tom Jobim e Luís Bonfá.
De lá pra cá, a jornada foi longa. Em mil novecentos e noventa e oito, Central do Brasil, de Walter Salles, colocou o país de novo no mapa... com Fernanda Montenegro se tornando a primeira brasileira indicada a Melhor Atriz. O filme não levou o prêmio, mas abriu uma porta que ficaria entreaberta por décadas.
No início dos anos dois mil, o governo brasileiro retomou a política de subsídios à produção audiovisual, num momento que a indústria local chama de "retomada". Casas de produção se multiplicaram. Diretores, atores e técnicos brasileiros começaram a circular com mais frequência por Hollywood. Cidade de Deus ganhou indicações. Tropa de Elite ganhou Berlim. Mas o Oscars, como prêmio de fato, continuava escapando.
Agora, tem um detalhe que muita gente fora do Brasil não percebe. O caminho para o estrelato no cinema brasileiro quase sempre passa pela televisão... mais especificamente, pelas novelas da TV Globo.
A Globo opera treze estúdios, três cidades cenográficas e cento e vinte e duas ilhas de edição. Suas novelas alcançam até sessenta milhões de brasileiros por semana. Wagner Moura, por exemplo, ficou conhecido nacionalmente pela novela A Lua Me Disse, há mais de vinte anos. Fernanda Torres, estrela de Ainda Estou Aqui, também construiu seu público por séries cômicas da emissora.
É um ecossistema que funciona como uma espécie de liga de desenvolvimento do entretenimento. A Globo recruta até setenta novos atores por ano, vindos do teatro, do cinema e de produções regionais. Eles passam por um período de treinamento com equipamentos de ponta e técnicas atualizadas. Depois, muitos migram para o cinema... e eventualmente voltam para a televisão, num ciclo que fortalece as duas pontas. O próprio Agente Secreto tem atores e profissionais que passaram pela Globo, e o filme recebeu investimento da emissora apesar de ser uma produção independente.
Só que esse modelo também revela uma fragilidade. O Brasil tem apenas cerca de três mil e quinhentas salas de cinema, a maioria concentrada nas grandes capitais e dominada por blockbusters americanos. A televisão aberta, gratuita e acessível, acabou criando um público que nem sempre vai ao cinema. Há quem diga que o cinema brasileiro carrega um certo ressentimento por nunca ter alcançado o mesmo alcance das novelas.
Em termos econômicos, a indústria audiovisual brasileira é um peso-pesado que ainda não descobriu toda a sua força. Segundo um estudo da Oxford Economics para a Motion Picture Association, o setor contribuiu com setenta vírgula dois bilhões de reais para o PIB brasileiro em dois mil e vinte e quatro... sustentou mais de seiscentos mil empregos e gerou nove vírgula nove bilhões em impostos. As exportações de serviços audiovisuais cresceram dezenove por cento ao ano entre dois mil e dezessete e dois mil e vinte e três, quando chegaram a quinhentos e sete milhões de dólares.
É um número expressivo, mas pequeno se comparado ao modelo coreano. A Coreia do Sul, que muitos brasileiros olham como referência, exportou quatorze vírgula zero oito bilhões de dólares em conteúdo cultural em dois mil e vinte e quatro... um recorde histórico. Só a indústria de games coreana respondeu por oito vírgula cinco bilhões. A de música, um vírgula oito bilhão. A de TV e vídeo, um vírgula vinte e seis bilhão.
A diferença não é só de escala... é de estratégia. A Coreia transformou a cultura em política de Estado. Após a crise financeira de mil novecentos e noventa e sete, o governo coreano criou o Ministério da Cultura e Turismo especificamente para exportar sua produção cultural. Em dois mil e vinte e um, o orçamento governamental para promoção de exportações culturais era de cinco vírgula cinco bilhões de dólares. O presidente Lee Jae-myung estabeleceu a meta de transformar a Coreia numa das cinco maiores potências de soft power do mundo, com exportações culturais atingindo trinta e seis bilhões de dólares até dois mil e trinta.
O Brasil, por sua vez, tem um histórico de instabilidade nessa área. E é aqui que a conversa fica mais complicada.
O financiamento público do cinema brasileiro depende fortemente da Ancine, a Agência Nacional do Cinema, criada em dois mil e um. A Ancine administra o Fundo Setorial do Audiovisual, o FSA, que é o principal mecanismo federal de financiamento do setor. Existem também leis de incentivo fiscal, como a Lei Rouanet e a Lei do Audiovisual, que permitem que empresas e pessoas físicas direcionem parte do imposto de renda para produções culturais.
Esse sistema funciona... quando funciona. A partir de dois mil e dezenove, durante o governo Bolsonaro, o financiamento público ao cinema foi praticamente congelado. A Ancine parou de abrir novas rodadas de financiamento. Quase mil projetos pré-aprovados ficaram no limbo, esperando recursos que não chegavam. Houve cortes de até quarenta e três por cento no orçamento da agência. Profissionais do setor descreveram o período como uma "anemia" da cultura brasileira.
Em 2023, o cenário começou a mudar. O FSA foi desbloqueado, as políticas de coprodução internacional foram retomadas e o Ministério da Cultura foi recriado. O Agente Secreto, aliás, recebeu subsídios do FSA e de fundos internacionais da França, Alemanha e Holanda... um modelo de coprodução multinacional que viabilizou um filme de alto padrão técnico.
Mas fica a pergunta... um sistema que pode ser ligado e desligado a cada troca de governo é sustentável a longo prazo? Setenta por cento dos filmes produzidos no Brasil dependem de financiamento público. Isso cria uma vulnerabilidade estrutural. Quando o apoio estatal some, a produção despenca. Quando volta, leva pelo menos dois anos para a indústria retomar o ritmo.
O mercado de entretenimento brasileiro como um todo, vale lembrar, é gigante. Estava avaliado em trinta e cinco vírgula seis bilhões de dólares em dois mil e vinte e três, representando doze por cento do mercado global. O mercado de streaming de vídeo no país gerou três vírgula cinco bilhões de dólares em dois mil e vinte e quatro e deve chegar a quase doze bilhões até dois mil e trinta.
É um terreno fértil. Mas o desafio é transformar consumo interno em exportação cultural. O Brasil tem público, tem talento, tem histórias. O que falta é o que a Coreia já tem há décadas... uma estratégia integrada de longo prazo que conecte produção, distribuição, tecnologia e promoção internacional, independentemente de quem esteja no poder.
O Golden Globes anunciou, em outubro de dois mil e vinte e cinco, que realizaria um evento especial de celebração do entretenimento brasileiro no Rio de Janeiro. Josephine Bourgois, diretora executiva do Projeto Paradiso, uma organização que apoia o cinema brasileiro no exterior, resumiu bem o momento ao dizer que o país está mostrando que é um parceiro viável... um lugar onde se pode fazer negócios.
Existem três cenários possíveis para o futuro do Brasil como potência de entretenimento global.
Cenário um... O impulso se mantém. Se o governo continuar investindo no FSA, expandir acordos de coprodução internacional e regular as plataformas de streaming para que contribuam com a produção local, o Brasil pode consolidar uma posição de destaque. A meta seria dobrar as exportações audiovisuais em cinco anos, passando de quinhentos milhões para mais de um bilhão de dólares. Pra quem trabalha no setor criativo, isso significa mais oportunidades de trabalho em produções internacionais, mais demanda por roteiristas, diretores de fotografia e técnicos de som que falem português. Pra investidores, o setor audiovisual brasileiro apresenta um multiplicador de PIB de dois vírgula dois... cada real investido gera mais que o dobro em atividade econômica.
Cenário dois... A montanha-russa continua. Se a próxima eleição trouxer um governo menos favorável à cultura, a Ancine pode voltar a ser esvaziada. Nesse caso, a indústria dependeria cada vez mais de coproduções internacionais e de plataformas de streaming como financiadoras. O risco aqui é que o Brasil se torne um fornecedor de talento e locação para produções estrangeiras, mas sem reter a propriedade intelectual dos projetos... que é onde está o dinheiro de verdade. Pra quem está na indústria, a estratégia seria diversificar fontes de financiamento agora, construir relações com produtoras europeias e fundos internacionais, e não depender exclusivamente do Estado.
Cenário três... O modelo coreano. Este é o mais ambicioso e o menos provável no curto prazo. Exigiria um pacto suprapartidário em torno da cultura como vetor econômico, com metas de longo prazo, orçamento robusto e uma agência de promoção internacional com mandato claro. A Coreia levou mais de vinte anos para chegar onde está. O Brasil, com seu mercado interno gigante e sua diversidade cultural, tem todos os ingredientes... mas ainda falta a receita.
Para o público em geral, a mensagem é mais simples. O cinema brasileiro está vivendo um dos seus melhores momentos. Vale prestar atenção. E o Oscars deste domingo pode ser histórico.
Este é um daqueles momentos em que vale parar e olhar pra o que está acontecendo. O Brasil sempre teve as histórias, o talento e o público. O que nunca teve, de forma consistente, foi o palco. Agora, pela primeira vez em muito tempo, o mundo está olhando. A pergunta é se o país vai aproveitar esse holofote para construir algo duradouro... ou se vai deixar a luz se apagar de novo quando a temporada de premiações acabar.
A resposta, como quase tudo no Brasil, depende menos do talento e mais da vontade política de tratá-lo como o que ele é... um ativo econômico real, e não apenas um motivo de orgulho passageiro.
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