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Editora: 12min
Existe um tipo de silêncio que não é paz. É o silêncio da nação que parou de atirar por três dias porque tem um desfile para fazer amanhã.
Na sexta-feira, 8 de maio de 2026, Donald Trump anunciou nas redes sociais que Rússia e Ucrânia concordaram com um cessar-fogo temporário entre os dias 9 e 11 de maio — exatamente o período em que Moscou comemora o Dia da Vitória, o aniversário da derrota da Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial. O acordo também prevê a troca de mil prisioneiros de guerra de cada lado. "Esperemos que seja o início do fim de uma guerra muito longa, sangrenta e duramente travada", escreveu Trump. Putin, pelo seu assessor Yuri Ushakov, confirmou a adesão à iniciativa americana.
Não foi um caminho direto até aqui. Na terça-feira anterior, a Ucrânia tinha anunciado uma trégua unilateral, desafiando a Rússia a fazer o mesmo. Moscou respondeu com acusações de violações. A Rússia havia declarado sua própria pausa unilateral para os dias 8 e 9 de maio, mas ao mesmo tempo ameaçava com "ataques massivos a Kiev" se os ucranianos tentassem sabotar as comemorações. Zelensky, por sua vez, mandou um aviso público recomendando que ninguém fosse a Moscou no sábado. Isso não é exatamente o clima de um armistício.
O pano de fundo é importante: as negociações estão paralisadas há meses por causa de um impasse em Donetsk. A Rússia exige que a Ucrânia retire suas tropas de partes do território que Moscou não conseguiu conquistar militarmente. Kiev se recusa a ceder o que ainda controla. Nenhum dos dois lados está disposto a transformar o mapa atual em fronteira oficial. A trégua de três dias, portanto, não resolve nada estruturalmente. O que ela faz é abrir uma janela humanitária e, talvez, testar se há vontade política de ir além.
Há quem veja o cessar-fogo como uma vitória diplomática de Trump, que há meses pressiona os dois lados a negociar. Há quem o leia como uma concessão tática de Putin, que precisava de um Dia da Vitória sem drones sobrevoando a Praça Vermelha. E há quem, como Zelensky, diga que o que interessa mesmo não é o desfile russo, mas trazer de volta os prisioneiros ucranianos que estão detidos na Rússia.
Um relatório de uma agência de inteligência europeia, divulgado pela CNN e pelo Financial Times, descreve um ambiente de paranoia crescente no círculo de Putin. Desde o início de março de 2026, o Kremlin teria reforçado drasticamente as medidas de segurança ao redor do presidente: cozinheiros, fotógrafos e guarda-costas que trabalham com Putin estão proibidos de usar transporte público; pessoas que se encontram com ele passam por duas revistas; assessores próximos só podem usar celulares sem internet; e residências de funcionários do Kremlin estão sendo monitoradas.
A razão declarada no relatório é dupla: o medo de vazamentos de informações sensíveis e o risco de uma conspiração interna. Desde dezembro, uma série de oficiais militares de alta patente foi assassinada. Em dezembro, o tenente-general Fanil Sarvarov morreu quando uma bomba explodiu em seu carro em Moscou. Esses episódios desencadearam uma disputa entre o Ministério da Defesa, o FSB e a Rosgvardia sobre quem é responsável pela proteção das lideranças militares.
O nome que o relatório destaca como possível figura de risco é Sergei Shoigu, o ex-ministro da Defesa que hoje ocupa o posto de secretário do Conselho de Segurança. Segundo o documento, Shoigu "mantém influência significativa no alto comando militar" e, portanto, estaria associado ao risco de um golpe. Em março, um colaborador próximo de Shoigu, Ruslan Tsalikov, foi preso sob acusações de peculato, lavagem de dinheiro e suborno. O relatório interpreta a prisão como uma violação dos "acordos tácitos de proteção entre as elites" — o tipo de regra não escrita que, quando quebrada, sinaliza que o jogo mudou.
Especialistas divergem sobre a credibilidade dessa narrativa. O cientista político britânico Mark Galeotti, referência em estudos sobre a Rússia, classificou os relatos sobre o suposto complô como "desinformação deliberada". Já a pesquisadora Ekaterina Schulmann observa que o relatório, em nenhum momento, fala em uma conspiração liderada diretamente por Shoigu. E analistas ponderaram que agências de inteligência europeias têm interesse em sugerir instabilidade no Kremlin. O relatório pode ser genuíno, pode ser uma operação de influência — ou pode ser as duas coisas ao mesmo tempo.
O que é verificável: Putin não visitou nenhuma instalação militar russa em 2026. Passou semanas em Krasnodar, perto do Mar Negro, em bunkers modernos. O Kremlin tem divulgado imagens pré-gravadas para evitar especulações sobre seu paradeiro. O desfile do Dia da Vitória ocorreu com restrições incomuns, sem parte do armamento pesado habitual, por conta de preocupações com a segurança. Alguma coisa, claramente, está diferente.
Na quinta-feira, 7 de maio, Lula esteve em Washington para uma reunião de três horas com Trump. Na saída, em coletiva de imprensa, o presidente brasileiro revelou ter entregado a Trump uma cópia do acordo nuclear firmado entre Brasil, Turquia e Irã em 2010, durante o seu segundo mandato. "Tá aí o documento, leia", afirmou Lula. E completou: era a segunda vez que entregava o documento a Trump.
O que foi esse acordo de 2010? Em maio daquele ano, após meses de negociações conduzidas pelo então chanceler Celso Amorim, Brasil e Turquia conseguiram que o Irã assinasse um entendimento: Teerã transferiria 1.200 quilos de urânio de baixo enriquecimento para a Turquia, sob supervisão internacional, e em troca receberia combustível nuclear para pesquisa médica. O modelo seguia uma proposta da Agência Internacional de Energia Atômica, a AIEA, e havia sido inicialmente incentivado pelo próprio Barack Obama em uma carta a Lula.
O problema é que, dias depois da assinatura, Estados Unidos e países europeus descartaram o acordo e empurraram novas sanções contra o Irã no Conselho de Segurança da ONU. A justificativa foi que o compromisso iraniano não era suficientemente confiável. Lula, então e agora, diz que o acordo foi rejeitado porque foi feito por países em desenvolvimento. "Nós, Brasil e Turquia, conseguimos convencer o Irã a assinar um acordo de não produção de arma nuclear", reiterou na quinta. "O acordo que nós fizemos em 2010 é muito melhor do que eles fizeram depois, e é preciso conversar outra vez."
O contexto que dá peso ao gesto: desde março de 2026, os Estados Unidos atacam instalações nucleares e militares do Irã. A guerra que Lula diz que poderia ter sido evitada está em curso. Trump, segundo Lula, acredita que o conflito "já acabou". O presidente brasileiro discordou.
O gesto tem leituras diferentes dependendo de onde você está. Defensores veem uma prova de que o Brasil tinha a solução antes de todo mundo, e que foi ignorado por arrogância das grandes potências. Críticos apontam que o Irã, já em 2010, sinalizou que continuaria a enriquecer urânio a 20% independente do acordo, o que gerou ceticismo ocidental sobre sua real intenção. A questão nuclear iraniana nunca foi simples.
O que é inegável: Lula saiu do encontro satisfeito. Trump o chamou de "muito dinâmico" nas redes sociais e disse que a reunião foi muito boa. Novos encontros foram agendados para os próximos meses.
Três histórias separadas, que têm uma coisa em comum: o mundo está tentando encontrar saídas para conflitos que deveriam ter sido evitados. Uma trégua de três dias numa guerra de mais de quatro anos. Um líder que fecha acordos à noite e teme ser derrubado de manhã. E um documento de 2010 que circula de mão em mão como se ainda pudesse mudar alguma coisa.
Talvez não possa. Mas a tentativa, sozinha, já diz alguma coisa sobre onde estamos.
Se você acompanha geopolítica e mercados: O cessar-fogo de três dias é curto demais para mudar o cenário de médio prazo, mas cria um ponto de atenção. Se a troca de prisioneiros acontecer sem incidentes e Trump acelerar a pressão por negociações, há uma chance real de que conversas substantivas comecem ainda em 2026. Isso impacta preços de commodities, especialmente grãos e energia, que dependem do fluxo pelo Mar Negro e da estabilidade regional europeia. Vale monitorar se o cessar-fogo se transforma em algo maior, ou se volta a ser guerra plena depois do dia 11.
Se você trabalha com análise de risco político: Os rumores de instabilidade no Kremlin devem ser lidos com cautela. O histórico mostra que narrativas de "golpe iminente na Rússia" circulam regularmente sem se concretizar. Mas a soma de fatores — assassinatos de generais, isolamento de Putin, disputa entre agências de segurança — sugere que o sistema de poder russo está sob tensão real. O risco não é necessariamente de colapso, mas de decisões erráticas tomadas por um núcleo cada vez mais fechado.
Se você está acompanhando a crise do Irã: A diplomacia de Lula com o acordo de 2010 é, ao mesmo tempo, uma jogada simbólica e uma aposta real. O Brasil se posiciona como interlocutor possível num conflito que os Estados Unidos vêm gerindo por pressão militar. Se Trump decidir recuar do confronto direto com o Irã, precisará de vias diplomáticas alternativas. O Brasil pode estar se colocando nessa fila. Isso tem consequências para a política externa brasileira e para como o país se posiciona no cenário global nos próximos anos.
Se você prefere o cenário mais conservador: Nada do que aconteceu esta semana muda estruturalmente nenhum dos três conflitos. A trégua expira, as suspeitas sobre Putin continuam especulativas, e um documento de 2010 não tem garantia de ação. O mais prudente é observar, não agir com base em movimentos de curto prazo.
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