Novo ano, Novo você, Novos objetivos. 🥂🍾 Comece 2024 com 70% de desconto no 12min Premium!
QUERO APROVEITAR 🤙Operação Resgate de Metas: 63% OFF no 12Min Premium!
Novo ano, Novo você, Novos objetivos. 🥂🍾 Comece 2024 com 70% de desconto no 12min Premium!
Disponível para: Leitura online, leitura nos nossos aplicativos móveis para iPhone/Android e envio em PDF/EPUB/MOBI para o Amazon Kindle.
Editora: 12min
O impasse entre Washington e Teerã tem data marcada. Em junho, os dois países fecharam um memorando de entendimento que abriu um período de 60 dias de negociação, e esse prazo vence em 17 de agosto. No dia 12 de agosto, uma fonte iraniana graduada disse à Reuters que não havia nenhuma conversa em curso com os americanos sobre prorrogá-lo — Teerã, segundo essa fonte, via "nada a estender". No centro da disputa está o Estreito de Hormuz, o canal estreito por onde escoa parte relevante do petróleo do Golfo Pérsico, hoje fechado à navegação normal, e um bloqueio naval americano aos portos iranianos que o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou a jornalistas que pode ser mantido por tempo indefinido.
O memorando previa 60 dias para negociar, e o relógio corre sem que nenhuma das partes confirme uma conversa para estendê-lo. A Fox News registra relatos conflitantes sobre americanos e iranianos estarem falando por meio de mediadores, mas a única declaração atribuída a uma fonte iraniana graduada, publicada pela Reuters em 12 de agosto, nega que exista discussão sobre prorrogar o acordo.
Do lado iraniano, as condições foram colocadas por escrito. Em 8 de agosto, Mohammad Baqer Zulqader, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, listou à agência estatal IRNA seis exigências de "correção de comportamento" dos Estados Unidos antes de qualquer reabertura de Hormuz: parar as ameaças e as ofensas ao que descreveu como as coisas sagradas do país, encerrar a ação militar contra o Irã e seus aliados no Líbano, nos territórios palestinos, no Iêmen e no Iraque, suspender o bloqueio naval, retirar forças navais e aéreas americanas da região, pagar indenização por danos de duas guerras e liberar sem condições os ativos iranianos congelados. "Até que os Estados Unidos corrijam seu comportamento, o Estreito de Hormuz não será aberto", disse Zulqader.
No dia seguinte, o chanceler iraniano Abbas Araghchi afirmou que as exigências já tinham sido enviadas aos Estados Unidos e que um acordo com Omã definindo novas rotas de navegação no estreito estava em fase final. Ainda assim, Teerã repetiu que a passagem só volta ao normal se as outras condições forem atendidas.
Em 11 de agosto, Donald Trump escreveu na Truth Social que "os Estados Unidos têm controle total sobre o Estreito de Hormuz" e acrescentou: "ACHO QUE VAMOS FICAR COM ELE!". No mesmo texto, disse que o bloqueio naval americano está sendo chamado de "uma parede de aço", que o Irã não tem Marinha nem Força Aérea, que a Guarda Revolucionária (IRGC) está "dizimada" e que o país convive com "inflação de 300%".
A resposta veio da Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico (PGSA), órgão criado pelo Irã em maio para coordenar a passagem de navios pelo estreito e cobrar pedágio. "Alegações e postagens repetidas de autoridades americanas de que o Estreito de Hormuz não está mais bloqueado não mudam a realidade: o Estreito de Hormuz permanece bloqueado e não será reaberto até que as condições do Irã sejam aceitas", publicou a autoridade no X.
Os números do bloqueio vêm do CENTCOM, o comando militar americano para o Oriente Médio. Em 9 de agosto, dizia ter redirecionado 55 navios comerciais, desabilitado dois e abordado dois; em 12 de agosto, os números eram 59 redirecionados, três desabilitados e dois abordados. O comando afirma manter mais de 20 navios de guerra na região, entre eles o porta-aviões USS George H.W. Bush.
Em 9 de agosto, Trump descreveu ao site americano Axios uma postura deliberadamente contida. "Estamos em tom baixo", disse. "Estamos apenas semi-negociando com eles. Estamos só observando o Irã com sua inflação enorme e o fato de que eles não têm dinheiro." Naquela entrevista, sustentou que a pressão econômica, e não novos ataques, levaria Teerã à mesa.
Nos dias seguintes o vocabulário mudou. Hegseth disse que as forças americanas podem manter o bloqueio dos portos iranianos indefinidamente. E o secretário do Tesouro, Scott Bessent, em entrevista ao canal americano Newsmax, anunciou novas medidas voltadas ao "isolamento econômico" do Irã que, segundo ele, "nunca foram vistas".
A leitura de que o aperto econômico é o instrumento principal aparece também fora do governo. A analista de segurança nacional Rebecca Grant disse à Fox News que o bloqueio "está realmente apertando o Irã" e o classificou como "a medida diplomática mais eficaz deste conflito até agora", citando o terminal de Kharg Island, por onde o país carrega 90% de seu petróleo, hoje praticamente às escuras. O vice-presidente JD Vance afirmou que Washington vai "continuar aplicando a pressão que pode aplicar".
Do lado iraniano, a aposta declarada é de resistência. Mohammad Reza Naqdi, principal assessor do comandante da IRGC, disse à PBS que uma das opções é "prolongar esta guerra até chegarmos ao próximo mandato presidencial e causar desgaste". O general da reserva Jack Keane, analista da Fox News, avaliou que Teerã pode ficar mais agressivo por acreditar que Trump evitará ação militar antes das eleições de meio de mandato.
O impasse já aparece nos preços antes de qualquer decisão militar. Na sexta-feira, depois da fala de Bessent e do anúncio de bloqueio indefinido, o rendimento do título do Tesouro americano de 10 anos — referência para o custo de endividamento do governo dos Estados Unidos — subiu cerca de 5 pontos-base, para 4,692%. O de 2 anos avançou 2 pontos-base, a 4,161%, e o de 30 anos subiu mais de 5 pontos-base, a 5,267%. No mesmo dia saíram dados fracos de consumo: as vendas no varejo caíram 0,6% em julho, quando economistas ouvidos pela Dow Jones esperavam alta de 0,1%. Estrategistas do banco ING escreveram que os dados de inflação da semana foram contidos e "muito bem-vindos para os Treasuries", mas que a pressão por juros mais altos "está longe de ter desaparecido".
No petróleo, o movimento é de piso, não de pânico. Em 12 de agosto, o Brent fechou em alta de 7 centavos, a 88,98 Dólares o barril, e o WTI americano subiu os mesmos 7 centavos, a 83,27 Dólares. Dias antes, com a notícia do acordo com Omã, os dois contratos tinham subido pouco mais de 1%. Dorian Carrell, do gestor Schroders, disse à Reuters que o cenário-base da casa é "uma desescalada gradual, mas confusa", e que a expectativa de que o tráfego pelo estreito não volte à capacidade total "coloca um piso no preço do petróleo". A Agência Internacional de Energia, em seu relatório de agosto, reduziu a projeção de demanda global no segundo semestre por causa do fechamento do estreito e afirmou que "a urgência de reabrir o estreito aumentou", já que os estoques disponíveis estão se esgotando rapidamente.
Em volta do impasse, três movimentos mudaram o tabuleiro. Os houthis, grupo iemenita apoiado pelo Irã, prometeram fechar o estreito de Bab el-Mandeb, na entrada do Mar Vermelho, por onde a Arábia Saudita exporta até sete milhões de barris de petróleo por dia. No último mês atacaram navios de bandeira saudita, e em 13 de agosto um cargueiro egípcio foi atingido, com pelo menos quatro tripulantes mortos. O general da reserva Ken Ekman, ex-coordenador do Departamento de Guerra para a África Ocidental, disse à Fox News que os houthis estão montando uma segunda frente que "distrai os Estados Unidos e estica nossos ativos".
Em 7 de agosto, Arábia Saudita, Turquia e Paquistão assinaram em Meca um acordo de defesa conjunta segundo o qual um ataque armado contra um país será tratado como ataque aos três. O chanceler turco Hakan Fidan disse que o texto é "tecnicamente o mesmo" que o artigo 5 da OTAN, ressalvando que a forma da ajuda será discutida caso a caso. E os Estados Unidos confirmaram que retirarão suas últimas tropas do Iraque até 30 de setembro, encerrando uma presença iniciada com a invasão de 2003.
O marcador mais objetivo dos próximos dias é o calendário. Vale observar se, antes de 17 de agosto, alguma das partes confirma conversas para estender o memorando — até agora nenhuma fonte iraniana ou americana confirmou — ou se o prazo simplesmente expira sem acordo e sem substituto. Um segundo ponto a acompanhar é se as medidas de "isolamento econômico" anunciadas por Bessent se materializam em sanções concretas e nomeadas, ou se permanecem no anúncio; e se o bloqueio "indefinido" descrito por Hegseth muda em escala, o que aparece nos boletins do CENTCOM sobre navios redirecionados, abordados e desabilitados. Terceiro, os dois indicadores que já se movem sem que nada tenha sido decidido: o rendimento dos títulos americanos de 10 anos e os contratos de Brent e WTI, que reagiram a cada declaração desta semana. E há a frente alternativa: se a pressão sobre Hormuz perder força de barganha, analistas ouvidos pela Fox News esperam mais atividade houthi no Mar Vermelho — o que se verifica olhando os ataques a navios em Bab el-Mandeb, não os comunicados sobre Hormuz.
Ao se cadastrar, você ganhará um passe livre de 7 dias grátis para aproveitar tudo que o 12min tem a oferecer.
Agora o 12min também produz conteúdos próprios. 12min Originals é a ferram... (Leia mais)
De usuários já transformaram sua forma de se desenvolver
Média de avaliações na AppStore e no Google Play
Dos usuários do 12min melhoraram seu hábito de leitura
Cresca exponencialmente com o acesso a ideias poderosas de mais de 2.500 microbooks de não ficção.
Comece a aproveitar toda a biblioteca que o 12min tem a oferecer.
Não se preocupe, enviaremos um lembrete avisando que sua trial está finalizando.
O período de testes acaba aqui.
Aproveite o acesso ilimitado por 7 dias. Use nosso app e continue investindo em você mesmo por menos de R$14,92 por mês, ou apenas cancele antes do fim dos 7 dias e você não será cobrado.
Inicie seu teste gratuito



Agora você pode! Inicie um teste grátis e tenha acesso ao conhecimento dos maiores best-sellers de não ficção.