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Este microbook é uma resenha crítica da obra:
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ISBN:
Editora: 12min
Este é o primeiro episódio de uma série especial do Radar 12min para a Copa do Mundo de 2026. Ao longo das próximas semanas, vamos contar as melhores histórias que o futebol já produziu dentro de Copas do Mundo... histórias de jogadores, de seleções, de gols impossíveis e de momentos que mudaram o esporte e, às vezes, o mundo. Cada episódio vai entrar em campo com uma história diferente, de uma época diferente, de um canto diferente do planeta. E se você está se perguntando por onde a gente começa... bom, a gente começa pelo começo. Pelo único jogador que ganhou três Copas. Pelo Rei.
Daqui a pouco mais de dois meses, um apito vai soar na Cidade do México e o mundo inteiro vai parar. Não uma parte do mundo... o mundo inteiro.
A Copa do Mundo de 2026 será a maior já realizada: quarenta e oito seleções, cento e quatro jogos, dezesseis cidades espalhadas por três países...
Estados Unidos, Canadá e México, todos ao mesmo tempo recebendo o planeta para assistir a um esporte que, goste você ou não, é o idioma universal que mais gente fala sem precisar de tradução.
Na última Copa, em 2022, no Catar, a final entre Argentina e França reuniu cerca de um bilhão e meio de pessoas diante de telas. Ao longo de todo o torneio, a FIFA estima que cinco bilhões de seres humanos assistiram a pelo menos um lance, um gol, um replay. Para 2026, a projeção chega a seis bilhões de interações entre transmissões ao vivo, streaming e redes sociais. Seis bilhões. A população do planeta é de oito. Faça as contas: praticamente três em cada quatro pessoas vivas vão consumir alguma coisa dessa Copa.
O Irã está classificado. Está no Grupo G, ao lado de Bélgica, Egito e Nova Zelândia. Seus três jogos da fase de grupos estão marcados para Los Angeles e Seattle... cidades que ficam no território dos Estados Unidos, o mesmo país que, desde 28 de fevereiro de 2026, está em guerra declarada contra o Irã. Ataques aéreos, mísseis cruzando o Oriente Médio, o Estreito de Ormuz parcialmente bloqueado, milhares de mortos. E a seleção iraniana, se tudo se mantiver como está, vai entrar em campo no país que está bombardeando o seu.
O presidente da Federação Iraniana de Futebol, Mehdi Taj, admitiu publicamente que não sabe se o time vai competir. A FIFA, por sua vez, insiste que o Irã participará. Gianni Infantino visitou pessoalmente a seleção iraniana. Os jogadores iranianos já têm isenção no decreto de viagem que proíbe cidadãos iranianos de entrar nos Estados Unidos, mas a situação muda a cada dia, a cada míssil, a cada deadline diplomático que expira.
É o tipo de situação que parece impossível de existir... até você lembrar que já existiu antes. Que o futebol e a guerra já se cruzaram. E que, em pelo menos uma ocasião, a bola venceu.
Essa história começa em Três Corações, Minas Gerais, em 23 de outubro de 1940. Edson Arantes do Nascimento nasceu numa família humilde. O pai, Dondinho, jogava futebol em times pequenos do interior e foi dele que o menino herdou o amor pela bola. A infância foi de rua, de pé descalço, de bola feita de meia. A pobreza não era cenário... era o chão onde tudo acontecia.
Aos quinze anos, Edson chegou ao Santos Futebol Clube. Aos dezesseis, já vestia a camisa da seleção brasileira. Não era um jogador precoce no sentido comum... era um fenômeno que apareceu pronto, como se tivesse nascido sabendo coisas que os outros levavam uma vida inteira para aprender.
O Brasil nunca tinha ganhado uma Copa do Mundo. Era um país de futebol apaixonado, mas que carregava nas costas a tragédia do Maracanaço de 1950, quando perdeu a final em casa para o Uruguai. A seleção foi para a Suécia com um grupo talentoso, mas o técnico Vicente Feola hesitava em escalar o garoto de dezessete anos. Quando Pelé finalmente entrou em campo, o mundo descobriu algo que nunca tinha visto antes.
Na semifinal contra a França, ele fez três gols. Na final contra a Suécia, mais dois. O Brasil venceu por cinco a dois. Um menino de dezessete anos havia se tornado o jogador mais jovem a marcar numa final de Copa e o mais jovem campeão do mundo. Depois daquele torneio, ninguém mais o chamou de Edson. O mundo inteiro passou a chamá-lo de Pelé... e logo depois, simplesmente, de O Rei.
O governo brasileiro, preocupado com as ofertas milionárias que chegavam da Europa, fez algo inédito: declarou Pelé patrimônio nacional, uma medida legal para impedir que ele fosse transferido para clubes estrangeiros. Um ser humano, oficialmente protegido como se fosse uma obra de arte ou uma reserva natural.
Em 1962, a Copa foi no Chile. Pelé entrou brilhando, marcou um gol e deu uma assistência na estreia contra o México. Mas no segundo jogo, contra a Tchecoslováquia, sofreu uma lesão muscular que o tirou do resto do torneio. O Brasil, porém, tinha Garrincha, Didi, Vavá, Zagallo... e venceu o campeonato mesmo sem seu craque. Foi o segundo título, e Pelé, embora mal tenha jogado, fez parte da conquista. A FIFA só lhe entregou a medalha de campeão em 2007, porque na época o regulamento exigia participação na final.
A Copa de 1966, na Inglaterra, foi o ponto mais baixo. Pelé já era o jogador mais marcado do mundo, e os adversários sabiam que a maneira mais eficiente de parar o Brasil era parar Pelé... literalmente. Ele sofreu faltas violentas contra Portugal e Bulgária, saiu lesionado, e o Brasil foi eliminado na primeira fase. Pela primeira vez na vida, Pelé jurou que nunca mais jogaria uma Copa do Mundo.
O time de 1970 que desembarcou no México costuma ser chamado, sem exagero, de a maior seleção que já existiu. Pelé, Rivellino, Jairzinho, Gérson, Tostão, Carlos Alberto Torres. A frente de ataque era uma orquestra que não precisava de maestro porque todos eram maestros ao mesmo tempo.
Na estreia contra a Tchecoslováquia, Pelé controlou um lançamento de cinquenta metros no peito e marcou. Contra a Inglaterra, tentou um gol do meio de campo que quase entrou e protagonizou uma das defesas mais famosas da história, quando Gordon Banks desviou sua cabeçada num voo que desafia a física. Contra a Itália, na final, o Brasil venceu por quatro a um. O último gol, de Carlos Alberto Torres, é frequentemente apontado como o mais bonito da história das Copas: uma jogada coletiva de nove toques, encerrada com um passe perfeito de Pelé e uma pancada de primeira de Carlos Alberto, rente à linha lateral.
Pelé terminou a Copa de 1970 com quatro gols e sete assistências. O Brasil levou para casa o troféu Jules Rimet em definitivo, porque era o primeiro país a ganhar três vezes. Ninguém antes ou depois conseguiu o que Pelé conseguiu: ser campeão do mundo três vezes como jogador. Ninguém. Até hoje.
O impacto de Pelé no futebol foi além dos gols e dos troféus. Ele forçou o esporte a mudar. Depois das pancadas que sofreu em 1966, a FIFA endureceu as regras sobre faltas e cartões. A introdução do cartão amarelo e do cartão vermelho, que estreou oficialmente na Copa de 1970, teve como pano de fundo direto a necessidade de proteger jogadores como Pelé de agressões sistemáticas. Ele não apenas jogava o jogo... ele fazia o jogo mudar para que outros pudessem jogar.
Em 1969, o país africano estava mergulhado na Guerra Civil de Biafra, um conflito que matou cerca de um milhão de pessoas. Diplomatas e enviados internacionais tentavam, sem sucesso, negociar um cessar-fogo. Santos, o clube de Pelé, fazia uma turnê pela África e chegou à Nigéria em janeiro daquele ano. O que aconteceu depois virou uma das histórias mais repetidas do esporte... e também uma das mais debatidas.
Segundo a versão que a revista TIME publicou em 2005, as duas facções em guerra aceitaram uma trégua de até 72 horas para que todos pudessem assistir ao Santos jogar. Soldados de ambos os lados teriam se posicionado lado a lado em torno dos estádios, não para lutar, mas para garantir a segurança dos torcedores. O primeiro jogo, em Lagos, terminou empatado em dois a dois, com Pelé marcando os dois gols do Santos. O segundo, em Benin City, terminou dois a um para o Santos, e o governador militar local teria aberto a ponte que conectava o território federal ao território de Biafra para que pessoas dos dois lados pudessem assistir.
É preciso dizer: pesquisas posteriores, como a do blogueiro nigeriano Olaojo Aiyegbayo, que vasculhou jornais da época, não encontraram menções explícitas a um cessar-fogo formal nos periódicos locais. O próprio Pelé, na sua autobiografia de 1977, não menciona o episódio. Na versão de 2007, ele escreveu que não tinha certeza de que a história fosse inteiramente verdadeira, mas que os nigerianos garantiram que os biafrenses não invadiriam Lagos enquanto o Santos estivesse lá. A verdade, como costuma acontecer com as melhores histórias, provavelmente mora em algum lugar entre o mito e o fato. Mas mesmo que não tenha havido um cessar-fogo assinado com caneta e papel, o que houve, sem dúvida, foi algo que nenhum diplomata conseguiu: fazer dois lados de uma guerra pararem para olhar na mesma direção, nem que fosse por noventa minutos.
No dia 19 de novembro de 1969, o mesmo ano da Nigéria e da chegada do homem à Lua, Pelé marcou seu milésimo gol. Foi de pênalti, contra o Vasco da Gama, no Maracanã, diante de mais de 65 mil pessoas numa noite chuvosa. Quando a bola entrou, o estádio foi invadido. Jornalistas, torcedores, jogadores reservas de ambos os times... todos correram para o gramado. Pelé foi carregado nos ombros e, quando finalmente conseguiu falar, disse: "Dedico este gol às criancinhas pobres do Brasil."
Era o mesmo garoto de Três Corações, descalço, jogando com bola de meia. Mil gols depois, a primeira coisa em que pensou foram as crianças que tinham crescido como ele.
Pelé se aposentou do Santos em 1974, voltou brevemente para jogar no New York Cosmos e ajudou a plantar a semente do futebol nos Estados Unidos... o mesmo país que agora, mais de cinquenta anos depois, vai sediar a maior Copa de todos os tempos. Pensar nisso é como fechar um círculo.
Edson Arantes do Nascimento morreu em 29 de dezembro de 2022, aos 82 anos, em São Paulo, em decorrência de um câncer de cólon. A notícia correu o mundo em minutos. Presidentes, atletas, artistas, gente comum... todos disseram a mesma coisa de formas diferentes: o futebol tinha perdido a pessoa que lhe deu nome.
Em junho de 2026, quando quarenta e oito seleções entrarem em campo, Pelé não estará lá. Mas tudo o que ele construiu estará. As regras que protegem os jogadores existem por causa dele. O futebol como espetáculo global existe, em boa parte, por causa dele. A ideia de que um garoto pobre pode pegar uma bola e mudar o mundo... isso é Pelé.
E se o Irã entrar em campo em Los Angeles, a sessenta e poucos dias de uma guerra que ainda não acabou, talvez alguém se lembre do que aconteceu em Lagos, em 1969. Talvez alguém se lembre de que, pelo menos uma vez na história, a bola foi mais forte que a bala. E talvez... só talvez... noventa minutos de futebol possam ser, de novo, o idioma que todo mundo entende.
Tá, a história é linda, mas e aí? Você ouviu tudo isso e agora? Bom, depende de quem você é e do que faz com o que sabe.
Se você é o tipo de pessoa que vai assistir à Copa no sofá com a família... aproveite esse Radar como munição de conversa. Quando alguém perguntar por que a Copa de 2026 é tão grande, você vai saber responder. Quando aparecer o Irã jogando em Los Angeles e a pessoa do seu lado falar "que loucura, né?", você vai poder contar que em 1969 um time brasileiro fez dois lados de uma guerra sentarem juntos num estádio. Conhecimento assim é ouro de bar, de churrasco, de grupo de família... e ninguém vai te perguntar a fonte.
Se você trabalha com conteúdo, marketing ou qualquer coisa que envolva atenção de gente... preste atenção nos números. Seis bilhões de interações. Onze bilhões de dólares em impacto econômico. Cento e quatro jogos em 39 dias. A Copa de 2026 vai ser o maior corredor de audiência concentrada do ano, talvez da década. Se você tem algo para vender, dizer ou mostrar... junho e julho são o seu palco.
Se você é professor, pai, mãe, ou qualquer pessoa que tem um adolescente por perto que acha que não gosta de história... conte essa história. Um menino de quinze anos, de pé descalço, entra num clube de futebol e doze anos depois tem mil gols e três Copas do Mundo. O governo do próprio país declara ele patrimônio nacional para ninguém roubá-lo. Ele vai para a África e, segundo a lenda, até uma guerra para. Tenta encontrar uma aula de história que compita com isso.
E se você é só alguém que gosta de futebol e sentiu alguma coisa ouvindo essa história... guarde esse sentimento. Porque a Copa está chegando, e é exatamente isso que ela faz: faz a gente sentir alguma coisa que não tem tradução. Pelé sabia disso melhor do que ninguém. Ele chamava de "o jogo bonito" e passou a vida inteira mostrando o porquê.
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