O tratamento do Alzheimer começa cada vez mais cedo - Resenha crítica - 12min Originals
×

Novo ano, Novo você, Novos objetivos. 🥂🍾 Comece 2024 com 70% de desconto no 12min Premium!

QUERO APROVEITAR 🤙
63% OFF

Operação Resgate de Metas: 63% OFF no 12Min Premium!

Novo ano, Novo você, Novos objetivos. 🥂🍾 Comece 2024 com 70% de desconto no 12min Premium!

340 leituras ·  4 avaliação média ·  111 avaliações

O tratamento do Alzheimer começa cada vez mais cedo - resenha crítica

translation missing: br.categories_name.radar-12min

Disponível para: Leitura online, leitura nos nossos aplicativos móveis para iPhone/Android e envio em PDF/EPUB/MOBI para o Amazon Kindle.

Editora: 12min

Resenha crítica

O que é a doença, e por que a conta só cresce

Demência é o nome de uma síndrome que compromete progressivamente a memória, o pensamento, o comportamento e a capacidade de fazer as tarefas do dia a dia. O Alzheimer é a sua forma mais comum, responde por cerca de 60% a 70% dos casos e não é considerado consequência normal do envelhecimento. No cérebro de quem tem a doença se acumulam placas da proteína beta-amiloide e emaranhados formados pela proteína tau, e é esse processo que vai corroendo a autonomia da pessoa.

A escala é grande e vai crescer. A Alzheimer's Disease International contabilizava mais de 55 milhões de pessoas vivendo com algum tipo de demência no mundo em 2020, contingente próximo ao da população da Itália, e projeta 139 milhões em 2050. As mulheres são desproporcionalmente afetadas, em parte porque vivem mais, mas fatores biológicos e sociais seguem sendo investigados.

O sinal de alerta, segundo o neurocirurgião Luan Messias Magalhães em entrevista ao g1, não é o esquecimento ocasional. Perder a chave acontece com qualquer um. Não saber para que serve a chave, se perder em um caminho conhecido ou não conseguir administrar contas que antes administrava são situações que merecem avaliação. O critério é quanto a alteração interfere na rotina.

Durante décadas, receber esse diagnóstico significava basicamente organizar o cuidado para o que viria. Na semana do Dia Mundial do Alzheimer, 21 de setembro, convergiram sinais de que essa equação mudou para uma fatia pequena de pacientes.

De remédio para o sintoma a remédio para o mecanismo

Os medicamentos disponíveis por décadas, como tacrina, donepezila, galantamina, rivastigmina e memantina, eram essencialmente voltados aos sintomas, segundo a geriatra Lindsey Nakakogue, professora da PUCPR e diretora científica da Febraz. A donepezila é distribuída no SUS.

A classe nova é outra coisa. São anticorpos monoclonais desenhados para se ligar à beta-amiloide e reduzir as placas no cérebro. Lecanemabe e donanemabe atuam sobre um dos processos biológicos da doença e podem retardar a progressão do declínio cognitivo em pacientes selecionados. Não são cura, não revertem danos já ocorridos e não servem para todo mundo: as aprovações se concentram nas fases iniciais sintomáticas, com patologia amiloide confirmada, e o tratamento exige acompanhamento por imagem por causa do risco de inchaço e pequenos sangramentos no cérebro.

Estocolmo e Londrina: fora do estudo clínico

Na Suécia, a farmacêutica BioArctic anunciou em 22 de setembro que o primeiro paciente do país começou a ser tratado com o Leqembi, marca do lecanemabe, em uma clínica privada de Estocolmo. É a primeira vez que alguém recebe o medicamento por lá fora de um estudo clínico desde a aprovação na União Europeia, em abril de 2025. O detalhe que explica o "privada": em abril deste ano, o NT-rådet, conselho sueco que avalia novas terapias, deu recomendação negativa à inclusão do remédio no sistema público de saúde. O produto está aprovado em 53 países, com indicação restrita a quem não carrega ou carrega apenas uma cópia da variante genética ApoE ε4, porque quem tem duas cópias corre mais risco do efeito adverso cerebral.

No Brasil, a Anvisa aprovou o donanemabe, vendido como Kisunla, em abril de 2025, e o lecanemabe em dezembro. A Folha acompanhou o caso de Edna Barbosa, 72, diagnosticada no fim de 2022, que fez a quarta infusão de donanemabe no próprio dia 21. O plano de saúde negou a cobertura, o marido recorreu à Justiça e conseguiu uma liminar. O casal viaja de carro cerca de 200 quilômetros entre Marília, no interior de São Paulo, e Londrina, no Paraná, para cada aplicação. Nakakogue, que a atende, acompanha quatro pacientes em uso do medicamento.

Descobrir antes, porque a janela é estreita

Se as novas terapias só valem nas fases iniciais, reconhecer o Alzheimer tarde significa perder a janela em que elas podem ser consideradas. Isso empurrou o diagnóstico para o centro da pesquisa. Exames de líquor e PET amiloide já identificam marcadores da doença, mas dependem de infraestrutura que não está amplamente disponível.

A novidade publicada na Lancet Neurology combina duas coisas mais simples: um exame de sangue que mede o biomarcador p-tau217 e um teste genético para variações no gene APOE. A validação envolveu quase 9.000 participantes acompanhados por até quatro anos. Testes de p-tau217 já existem no Brasil, fora do SUS. Eduardo Ferriolli, professor da USP, pondera que não é caso de corrida aos laboratórios: ter a alteração biológica não significa ter demência, e os tratamentos aprovados não são indicados para quem apresenta só o marcador, sem comprometimento cognitivo.

Há caminhos mais baratos em teste. Uma pesquisa brasileira na Unesp usa inteligência artificial para extrair diagnóstico de eletroencefalogramas, exames baratos e disponíveis, cuja leitura é demorada. Um grupo italiano construiu modelos computacionais do cérebro do paciente a partir de EEGs e relatou 88% de acurácia em 124 participantes.

Uma camada nova aparece no DNA

Um estudo publicado na Science por pesquisadores da Carnegie Mellon, de Pittsburgh e de Washington encontrou algo diferente das placas e dos emaranhados. Analisando amostras post-mortem do córtex pré-frontal, eles viram que o Alzheimer altera a própria arquitetura tridimensional do genoma: os compartimentos que separam regiões mais e menos ativas ficam menos definidos, e as células com mais mistura entre eles mostram menor atividade gênica, incluindo conjuntos de genes ligados a neurônios e sinapses. O trabalho não demonstra que essas mudanças causem a doença nem apresenta tratamento. Serve para indicar onde procurar.

O que trava: preço, dúvida e tesoura

O custo é a primeira barreira. Um mês de lecanemabe sai por volta de R$ 8.000 sem impostos, chegando perto de R$ 11.000 com alíquota de 18%. No donanemabe, uma ampola pode custar R$ 6.000, e a fase de manutenção exige quatro por mês, o que representaria R$ 24 mil mensais.

A segunda é a própria evidência. Uma revisão publicada em maio na Cochrane Library reuniu 17 ensaios clínicos com diferentes fármacos dessa classe e concluiu que, embora reduzam as placas, não há impacto relevante na capacidade dos pacientes de realizar atividades cotidianas, descrevendo os efeitos como "pequenos, na melhor das hipóteses".

A terceira é política. O Guardian relatou que o governo Trump cancelou em agosto o financiamento do estudo Phresh, conduzido há 15 anos em dois bairros de maioria negra e baixa renda em Pittsburgh, que havia acabado de concluir a segunda rodada de testes cognitivos com cerca de 600 participantes. Os pesquisadores receberam 90 dias para encerrar, mais de cinco meses antes do previsto, e dizem não ter tempo nem dinheiro para interpretar os resultados prometidos a quem participou. O governo federal já havia investido mais de US$ 10 milhões no projeto ao longo de cinco anos. Ao todo, mais de 5.700 financiamentos do NIH foram cancelados, congelados ou interrompidos nos últimos dois anos, com mais de 4.500 restaurados desde então. A Universidade de Pittsburgh perdeu 90 concessões, cerca de US$ 33 milhões, e recorre administrativamente; pesquisadores também são autores de uma ação coletiva contra o NIH.

O que se perde tem relação direta com o resto desta pauta. Americanos negros têm quase o dobro de risco de desenvolver demência por Alzheimer, segundo a Alzheimer's Association, e aparecem pouco na pesquisa: de mais de 12 mil estudos de imagem cerebral sobre a doença, só cerca de 700 informam a raça dos participantes, e nesses mais de 87% são brancos. Um segundo estudo cancelado em Pittsburgh, o Cobra, havia contribuído para publicações mostrando que os exames de sangue para Alzheimer podem ser distorcidos por comorbidades como doença renal e vascular.

A outra frente, mais barata e mais antiga

Em paralelo, existe a prevenção, que não depende de infusão nem de liminar. A Comissão Lancet sobre demência atualizou em 2024 sua lista de fatores potencialmente modificáveis, que passou de 12 para 14: baixa escolaridade, perda auditiva, hipertensão, tabagismo, obesidade, depressão, inatividade física, diabetes, isolamento social, consumo excessivo de álcool, traumatismo craniano, poluição do ar, colesterol LDL elevado e perda de visão não tratada. Diretrizes divulgadas pela OMS em julho deste ano apontam que até 45% do risco de demência pode ser prevenido ou adiado pelo enfrentamento de fatores modificáveis ao longo da vida. Nada disso garante que alguém não desenvolverá a doença, e idade e genética seguem fora do alcance.

O que fazer com essa informação

Não é caso de sair pedindo exame de biomarcador ou teste genético por conta própria. Os especialistas ouvidos pelas reportagens desaconselham isso fora de indicação médica, porque o achado biológico isolado não define demência e os remédios aprovados só valem para quadros iniciais já sintomáticos e confirmados.

O que muda na prática é outra coisa. Esquecimento que começa a atrapalhar a rotina merece avaliação clínica cedo, e agora por um motivo novo: a janela de indicação dos anticorpos é estreita, e chegar ao consultório quando a perda já está avançada significa ficar fora dela. Quem já tem diagnóstico, ou cuida de alguém que tem, pode perguntar ao médico sobre elegibilidade ao lecanemabe e ao donanemabe e sobre as vias de cobertura, plano de saúde, judicialização, SUS, sabendo de antemão que o benefício documentado até aqui é modesto, que o tratamento tem efeitos adversos cerebrais e que a infraestrutura de infusão pode exigir deslocamento.

Duas coisas valem acompanhar nos próximos meses. A primeira é se o acesso a esses medicamentos se amplia ou não, no Brasil e na Europa, onde a recomendação negativa na Suécia mostrou que aprovação regulatória e pagamento público são decisões separadas. A segunda é o desfecho dos cortes de financiamento nos Estados Unidos, que estão em disputa administrativa e judicial e vão definir se a próxima geração de diagnóstico precoce chega mais rápido ou fica anos parada.

Leia e ouça grátis!

Ao se cadastrar, você ganhará um passe livre de 7 dias grátis para aproveitar tudo que o 12min tem a oferecer.

Quem escreveu o livro?

Agora o 12min também produz conteúdos próprios. 12min Originals é a ferram... (Leia mais)

Aprenda mais com o 12min

6 Milhões

De usuários já transformaram sua forma de se desenvolver

4,8 Estrelas

Média de avaliações na AppStore e no Google Play

91%

Dos usuários do 12min melhoraram seu hábito de leitura

Um pequeno investimento para uma oportunidade incrível

Cresca exponencialmente com o acesso a ideias poderosas de mais de 2.500 microbooks de não ficção.

Hoje

Comece a aproveitar toda a biblioteca que o 12min tem a oferecer.

Dia 5

Não se preocupe, enviaremos um lembrete avisando que sua trial está finalizando.

Dia 7

O período de testes acaba aqui.

Aproveite o acesso ilimitado por 7 dias. Use nosso app e continue investindo em você mesmo por menos de R$14,92 por mês, ou apenas cancele antes do fim dos 7 dias e você não será cobrado.

Inicie seu teste gratuito

Mais de 70.000 avaliações 5 estrelas

Inicie seu teste gratuito

O que a mídia diz sobre nós?