Polymarket: O Cassino que Aposta no Caos - Resenha crítica - 12min Originals
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Polymarket: O Cassino que Aposta no Caos - resenha crítica

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Este microbook é uma resenha crítica da obra: Polymarket: O Cassino que Aposta no Caos

Disponível para: Leitura online, leitura nos nossos aplicativos móveis para iPhone/Android e envio em PDF/EPUB/MOBI para o Amazon Kindle.

ISBN: 

Editora: 12min

Resenha crítica

Imagine abrir um site no seu celular e apostar dinheiro real em quando os Estados Unidos vão bombardear outro país. Não estamos falando de ficção científica, nem de algum mercado negro escondido na deep web. Estamos falando de uma plataforma avaliada em nove bilhões de dólares, com investidores de peso, cobertura da mídia internacional e — aqui está o detalhe que muda tudo — o filho do presidente dos Estados Unidos como conselheiro e investidor.

Bem-vindo ao Polymarket.

Como funciona essa engrenagem:

O Polymarket nasceu em 2020, em Manhattan, pelas mãos de Shayne Coplan, um jovem que abandonou a universidade, negociava criptomoedas na adolescência e decidiu que o mundo precisava de um lugar onde qualquer pessoa pudesse transformar opiniões sobre o futuro em apostas financeiras. A ideia, em tese, é elegante: você compra "ações" que representam a probabilidade de um evento acontecer. Se o evento acontece, sua ação vale um dólar. Se não acontece, vale zero. O preço da ação flutua em tempo real, como numa bolsa de valores, só que em vez de empresas, você negocia a chance de chover na terça-feira, de um presidente cair ou de uma bomba cair sobre Teerã.

A plataforma opera com USDC, uma criptomoeda atrelada ao dólar, através da blockchain Polygon. Não existe "casa" no sentido tradicional de um cassino. Não há um bookie definindo as probabilidades. Cada aposta do tipo "sim" precisa encontrar alguém disposto a apostar "não" pelo mesmo valor. É um sistema peer-to-peer, descentralizado, que se vende como democrático e transparente. E por um tempo, foi exatamente isso que pareceu ser.

Nas eleições americanas de 2024, o Polymarket explodiu. Mais de 3,3 bilhões de dólares foram apostados na corrida entre Donald Trump e Kamala Harris. A plataforma acertou o resultado antes das pesquisas tradicionais e virou referência. Veículos como o Wall Street Journal e a Bloomberg passaram a citar as probabilidades do Polymarket lado a lado com dados de institutos consagrados. Nate Silver, o fundador do FiveThirtyEight e talvez o nome mais respeitado em análise eleitoral nos Estados Unidos, tornou-se consultor da empresa. De repente, apostar no futuro não era mais coisa de degenerado. Era sofisticado. Era dados. Era ciência.

Só que a ciência esconde uma sombra.

A aposta que ninguém deveria ter acertado

Em janeiro de 2026, uma conta recém-criada no Polymarket começou a fazer apostas modestas. Noventa e seis dólares aqui, algumas centenas ali. Todas na mesma direção: que os Estados Unidos invadiriam a Venezuela e capturariam Nicolás Maduro antes do fim do mês. Na época, as probabilidades estavam em torno de oito por cento. Quase ninguém acreditava nisso. Mas nos primeiros dias de janeiro, essa conta acelerou. Milhares de dólares foram despejados, com a última grande aposta caindo às 21h58 — poucas horas antes de explosões serem ouvidas em Caracas.

A operação americana aconteceu. Maduro foi capturado. E aquela conta anônima transformou cerca de 34 mil dólares em quase 410 mil — um retorno de doze vezes.

Analistas do mercado ficaram aturdidos. Tre Upshaw, fundador da Polysights, uma firma que monitora atividades incomuns na plataforma, resumiu o sentimento geral ao dizer que havia muita coisa estranha ali: era muito dinheiro colocado a um preço muito baixo, num momento em que não havia nenhuma notícia pública que justificasse a aposta. O padrão era clássico: carteira nova, apostas concentradas, janela apertada antes da operação vir à tona. Tudo apontava para alguém que sabia o que ia acontecer.

A Casa Branca, vale lembrar, se gabou do sigilo da operação. Trump exibiu fotos de si mesmo monitorando a ação de Mar-a-Lago ao lado do Secretário de Defesa Pete Hegseth, do diretor da CIA John Ratcliffe e do Secretário de Estado Marco Rubio. Um punhado de pessoas sabia o que estava para acontecer. E alguém, aparentemente, decidiu que essa informação valia dinheiro.

Quando a guerra vira mercadoria

Se o caso da Venezuela foi um alarme, o que veio depois foi um incêndio.

Em 28 de fevereiro de 2026, os Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o Irã. O líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, foi morto nos bombardeios. Nas horas anteriores aos primeiros mísseis, algo estranho aconteceu no Polymarket: mais de 150 contas fizeram apostas de quatro dígitos acertando corretamente que o ataque americano ao Irã aconteceria naquele dia. Uma onda tardia de cerca de 855 mil dólares entrou pouco antes das bombas caírem, de acordo com uma análise do New York Times sobre os dados de negociação da plataforma.

Uma conta em particular chamou atenção. Operando sob o nome "Magamyman", um apostador embolsou mais de 553 mil dólares. Sua primeira transação foi feita pouco mais de uma hora antes da notícia se tornar pública. A empresa de análise de blockchain Bubblemaps identificou seis contas suspeitas que, juntas, lucraram 1,2 milhão de dólares. Nenhuma delas tinha histórico anterior de apostas. Todas foram criadas e financiadas nas 24 horas que antecederam o ataque. Todas apostaram no mesmo desfecho.

No total, contratos relacionados ao momento dos ataques ao Irã movimentaram 529 milhões de dólares no Polymarket. Um único contrato sobre a data exata dos bombardeios chegou perto de 90 milhões em volume de negociação. Pessoas estavam, literalmente, apostando em quando as bombas cairiam — e algumas delas pareciam saber a resposta antes de todo mundo.

O congressista californiano Mike Levin resumiu a indignação de muitos ao observar que Donald Trump Jr. faz parte do conselho consultivo do Polymarket e que a administração Trump tem apoiado a empresa mesmo diante da crescente reação pública. Sua mensagem foi direta: mercados de previsão não podem ser um veículo para lucrar com conhecimento antecipado de ações militares.

O padrão que se repete

O que torna tudo mais perturbador é que não estamos falando de incidentes isolados. Existe um padrão.

Em Israel, o caso foi ainda mais explícito. Em fevereiro de 2026, autoridades israelenses indiciaram duas pessoas — um reservista militar e um civil — por usarem informações classificadas para apostar no Polymarket. O reservista tinha acesso a inteligência sobre operações futuras das Forças de Defesa de Israel. O civil abriu a conta e fez as apostas. As operações em questão envolviam ataques ao Irã durante uma guerra de doze dias entre os dois países em junho de 2025. Eles lucraram mais de 150 mil dólares. As acusações incluem crimes graves de segurança, suborno e obstrução de justiça. Foi a primeira vez na história que alguém foi formalmente acusado de usar segredos militares para lucrar em um mercado de previsão.

A reação do exército israelense foi dizer que aquilo constituía uma falha ética grave e que cruzava uma linha vermelha. Mas o dano já estava feito — e, mais importante, o precedente estava aberto.

Nas trincheiras da guerra entre Rússia e Ucrânia, o Polymarket permite apostas sobre quando determinadas cidades serão capturadas. Em novembro de 2025, o Instituto para o Estudo da Guerra publicou mapas indicando que forças russas haviam avançado sobre o centro de Myrnohrad — um avanço que depois se revelou fictício. Mas antes da correção, apostadores que tinham posições abertas sobre a queda da cidade lucraram. Acusações de fraude e manipulação se espalharam. O DeepState ucraniano acusou o Polymarket de usar seus dados para alimentar apostas.

E não para por aí. Em dezembro de 2025, um apostador que operava sob o pseudônimo AlphaRaccoon lucrou mais de um milhão de dólares em 24 horas com apostas sobre o ranking de buscas mais populares do Google naquele ano. Acertou 22 de 23 previsões. Rastreadores de blockchain mostraram que a mesma carteira já havia lucrado com apostas relacionadas ao Google antes. A suspeita de acesso a informações privilegiadas da empresa é inevitável.

O caso da secretária e os 28 segundos

Nem todas as controvérsias envolvem guerras ou segredos de Estado. Algumas são quase cômicas — até você perceber o que elas revelam sobre o sistema.

Em 7 de janeiro de 2026, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, conduziu sua coletiva diária. No mercado de apostas, havia um contrato sobre a duração do evento, com o limite fixado em 65 minutos. A probabilidade de que a coletiva ultrapassasse essa marca era de 98 por cento. Faltando 28 segundos para bater os 65 minutos, Leavitt juntou seus papéis e encerrou abruptamente a sessão.

Apostadores que tinham posições "não" — ou seja, que apostavam que ela não passaria dos 65 minutos — viram retornos de até 50 vezes o valor investido em questão de segundos. A internet explodiu. Traders e observadores políticos chamaram o episódio de absurdo e corrosivo. Vídeos da saída de Leavitt viralizaram, com milhares de comentários insinuando que a Casa Branca tinha manipulado o mercado.

Mais tarde, investigações mostraram que a maior aposta individual no "não" era de apenas 186 dólares — o que sugere que, neste caso específico, a suspeita pode ter sido maior que a realidade. Mas o episódio expôs algo estrutural: quando se cria um mercado que permite apostar em eventos sob controle direto de indivíduos específicos, a possibilidade de manipulação não é um bug. É uma característica do sistema.

O YouTuber, o deserto e 14 milhões de dólares

Talvez o caso mais surreal de todos envolva um YouTuber britânico conhecido como Lord Miles. Em 2025, ele iniciou uma transmissão ao vivo no deserto da Arábia Saudita para tentar completar um jejum de 40 dias. O Polymarket criou um mercado sobre se ele conseguiria ou não. O volume de apostas disparou para 14 milhões de dólares.

No 28º dia, Lord Miles disse que a rede elétrica cairia e saiu do ar. Nunca mais voltou. Rumores de que ele tinha morrido se espalharam. As probabilidades de sucesso despencaram de 68% para 6%. E então veio a revelação: o investigador de fraudes Coffeezilla descobriu que Lord Miles havia transferido dinheiro para uma conta no Polymarket e apostado contra si mesmo antes de desaparecer, lucrando mais de 60 mil dólares.

Ao mesmo tempo, representantes de Lord Miles alegaram que um americano havia subornado um jornalista para plantar notícias falsas e manipular a polícia saudita a prendê-lo — tudo para que apostadores do "não" pudessem lucrar. Ele acabou sendo detido por autoridades sauditas e revelou estar vivo, mas sob custódia. Usuários do Polymarket acusaram a plataforma de mudar as regras depois dos fatos e de ser cúmplice de fraude. O Polymarket chegou a publicar uma declaração de Lord Miles, mas depois a apagou.

O problema que ninguém quer resolver

Se você chegou até aqui e está pensando que essas são falhas que serão corrigidas com regulação, há algo que precisa saber: o próprio CEO do Polymarket não vê essas situações como problemas.

Em entrevistas ao programa 60 Minutes da CBS e ao site Axios, Shayne Coplan defendeu abertamente o uso de informações privilegiadas. Ele argumenta que quando alguém com conhecimento exclusivo aposta na plataforma, isso acelera a descoberta da verdade. Nas suas palavras, a plataforma cria um incentivo financeiro para que pessoas divulguem informações ao mercado. Quando perguntado especificamente sobre insider trading, ele chamou isso de algo positivo.

É uma posição coerente com a filosofia do Polymarket, mas profundamente perturbadora quando aplicada a cenários reais. Quando o "incentivo financeiro para divulgar informações" significa que um militar reservista vende segredos de Estado para apostar, ou que alguém no círculo interno de uma operação militar transforma vidas humanas em fichas de cassino, a elegância do argumento desmorona.

A regulação, por enquanto, é um mosaico de contradições. O Polymarket foi multado em 1,4 milhão de dólares pela CFTC em 2022 e proibido de operar nos Estados Unidos. Bloqueou o acesso de americanos até dezembro de 2025. Mas então o governo Trump chegou. O Departamento de Justiça encerrou a investigação. A CFTC autorizou a empresa a operar nos EUA. Donald Trump Jr. entrou como conselheiro e investidor. A Truth Social, rede social do próprio presidente, anunciou planos de lançar seu próprio mercado de previsões.

Do outro lado, uma coalizão de 30 democratas liderada pelo congressista Ritchie Torres apresentou o "Public Integrity in Financial Prediction Markets Act de 2026", que proibiria oficiais do governo de apostar em mercados de previsão quando tiverem acesso a informações não públicas. Torres foi enfático ao afirmar que a linha borrada entre prever e lucrar não corrompe apenas mercados — corrompe o próprio governo, transformando serviço público em empresa privada. Mas com o filho do presidente investindo na plataforma, a perspectiva de consenso bipartidário é, no mínimo, improvável.

Enquanto isso, pelo menos seis países já baniram ou restringiram o Polymarket: Austrália, Bélgica, França, Polônia, Suíça e Singapura. A autoridade suíça de jogos incluiu a plataforma em sua lista negra. A autoridade francesa de jogos seguiu o mesmo caminho. O estado americano de Nevada entrou com uma ação civil alegando que o Polymarket deveria ser regulado como operador de jogos de azar.

Mas para cada porta que se fecha, o Polymarket encontra uma janela. Em outubro de 2025, a Intercontinental Exchange — a empresa que controla a Bolsa de Nova York — investiu dois bilhões de dólares na plataforma. A avaliação saltou para nove bilhões. O mercado financeiro tradicional, ao que parece, não vê problema nenhum em apostar na morte de líderes estrangeiros, desde que o retorno seja atrativo.

O que fazer com essa informação

Se existe uma mensagem central em tudo o que você acabou de ler, é esta: o Polymarket não é um termômetro neutro da realidade. É uma arena onde dinheiro, poder e informação privilegiada se cruzam de formas que a maioria das pessoas sequer imagina.

Os riscos são concretos e múltiplos. O primeiro é o mais óbvio: qualquer pessoa que entre nessa plataforma como apostador casual está jogando contra profissionais, insiders e potencialmente pessoas com acesso a segredos de Estado. A assimetria de informação é brutal. Quando seis contas anônimas lucram 1,2 milhão de dólares apostando no bombardeio ao Irã horas antes de ele acontecer, o dinheiro que elas ganham sai do bolso de quem apostou do outro lado sem saber o que estava por vir.

O segundo risco é geopolítico. Especialistas em segurança nacional já alertam que mercados de previsão podem funcionar como fontes de inteligência para adversários. Se as probabilidades de um ataque militar disparam horas antes da operação, qualquer serviço de inteligência do mundo pode usar essa informação para se preparar, colocando em risco a vida de soldados e civis. Atores mal-intencionados podem manipular mercados com apostas estratégicas para semear instabilidade, enviar sinais falsos e alimentar tensões internacionais.

O terceiro risco é democrático. Quando decisões de governo podem gerar lucro privado para quem as conhece de antemão, cria-se um incentivo perverso. Não é difícil imaginar um cenário em que um formulador de políticas tenha que escolher entre o que é melhor para o país e o que é mais lucrativo para sua carteira de apostas. O congressista Torres chamou esse cruzamento de mercados de previsão com governo federal de "o canto mais corrupto de Washington" — onde insider trading e negociação em causa própria deixaram de ser riscos imaginários para se tornarem perigos demonstrados.

Se você está considerando apostar no Polymarket, saiba que estará entrando em um ambiente sem as proteções que existem em mercados financeiros tradicionais. Não há exigência de identificação na plataforma internacional. Não há seguro contra manipulação. Não há garantia de que as regras não serão alteradas no meio do jogo, como apostadores de Lord Miles descobriram. E se você perder, não há a quem recorrer.

Se você é cidadão e não pretende apostar, o que acontece no Polymarket ainda assim te afeta. A possibilidade de que decisões militares, diplomáticas e políticas estejam sendo influenciadas — mesmo que indiretamente — pela existência de um mercado bilionário que lucra com elas é, por si só, motivo de preocupação cívica. Acompanhar o andamento da legislação proposta, cobrar transparência dos governantes e entender como essas plataformas funcionam é, neste momento, uma forma básica de autodefesa democrática.

O Polymarket se vende como a sabedoria das multidões traduzida em probabilidades. Mas quando as multidões não têm a mesma informação que os poucos, o que sobra não é sabedoria. É um jogo onde as cartas já foram distribuídas antes de você sentar à mesa.

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