Três países mostram como o sarampo volta quando a vacinação falha - Resenha crítica - 12min Originals
×

Novo ano, Novo você, Novos objetivos. 🥂🍾 Comece 2024 com 70% de desconto no 12min Premium!

QUERO APROVEITAR 🤙
63% OFF

Operação Resgate de Metas: 63% OFF no 12Min Premium!

Novo ano, Novo você, Novos objetivos. 🥂🍾 Comece 2024 com 70% de desconto no 12min Premium!

90 leituras ·  4 avaliação média ·  42 avaliações

Três países mostram como o sarampo volta quando a vacinação falha - resenha crítica

translation missing: br.categories_name.radar-12min

Disponível para: Leitura online, leitura nos nossos aplicativos móveis para iPhone/Android e envio em PDF/EPUB/MOBI para o Amazon Kindle.

Editora: 12min

Resenha crítica

O que é o sarampo e por que ele exige quase 100% de vacinação

O sarampo é uma doença viral transmitida pelo ar, de pessoa a pessoa, quando alguém tosse, espirra, fala ou simplesmente respira. Ela se espalha especialmente em ambientes fechados e com muita gente circulando. Os sintomas principais são febre alta, tosse, coriza, conjuntivite e manchas avermelhadas na pele, que costumam aparecer entre 7 e 14 dias depois da exposição. Não existe tratamento específico contra o vírus depois que a pessoa adoece. Casos graves podem levar a inchaço no cérebro e a problemas respiratórios.

O que o torna diferente de quase todas as outras doenças evitáveis por vacina é o grau de contágio: o sarampo está entre as doenças mais contagiosas do mundo, o que significa que concentrações relativamente pequenas de pessoas desprotegidas bastam para sustentar a transmissão. Por isso o limiar de proteção coletiva é tão alto. É preciso algo em torno de 95% de cobertura com o esquema completo de duas doses para interromper a circulação do vírus em uma comunidade.

Esse número tem uma consequência prática pouco intuitiva: uma média nacional alta pode esconder bolsões onde a cobertura é baixa, e é nesses bolsões que o vírus continua circulando. Bebês pequenos demais para receber a vacina de rotina dependem justamente de que todo mundo em volta esteja protegido. Eles contraem e transmitem a doença de forma desproporcional.

É esse mecanismo que explica três notícias que apareceram praticamente na mesma semana, em países muito diferentes.

Bangladesh: o maior surto do mundo e os bebês que a campanha não alcançou

Bangladesh, país do sul da Ásia com cerca de 178 milhões de habitantes, passou de mil mortes por sarampo. Em 9 de setembro, autoridades da Direção Geral de Serviços de Saúde (DGHS) reportaram 1.002 crianças mortas e 187.484 infecções desde o início do surto, em março. Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) classificaram a situação como o maior surto de sarampo do mundo em curso. No ano anterior, o país havia registrado 132 casos de sarampo no total, sem nenhuma morte.

A comparação dá o tamanho do que mudou. Professor Mahmudur Rahman, ex-diretor do Instituto de Epidemiologia, Controle de Doenças e Pesquisa de Dhaka, disse à agência Reuters que a situação não tem precedente no país: "Até onde sei, Bangladesh nunca viu tantas crianças morrendo de sarampo. Nem jamais vimos um número tão alto de pacientes em um único ano."

O país vinha caminhando para eliminar a doença antes que anos de queda na imunização deixassem um número crescente de crianças suscetíveis. Uma pesquisa oficial de avaliação de cobertura mostrou que a primeira dose da vacina contra sarampo e rubéola caiu de 88,6% em 2019 para 86% em 2023, e a segunda dose recuou de 89% para 80,7% no mesmo período. Ambos os patamares estão abaixo dos 95% necessários. A imunização de rotina foi interrompida durante a pandemia de covid-19, e a Unicef também citou desinformação e hesitação vacinal entre os fatores. A Organização Mundial da Saúde e a Unicef associaram a crise a falhas no programa de imunização surgidas em 2024 e 2025, durante a turbulência política que se seguiu à queda da então primeira-ministra Sheikh Hasina. O ministro da Saúde, Sardar Husain, declarou ao parlamento que mudanças na política de compras naquele período criaram desabastecimento de vacinas.

A resposta foi uma campanha emergencial nacional, iniciada em abril, com meta de cerca de 18 milhões de crianças de seis meses a menos de cinco anos. Os dados oficiais apontam 19,75 milhões de crianças vacinadas, acima da meta. E ainda assim o surto seguiu matando. A explicação aparece em uma comparação interna do próprio governo: dois meses depois, uma campanha de suplementação de vitamina A mirou cerca de 24 milhões de crianças na mesma faixa etária. A diferença de quase seis milhões sugere que a estimativa populacional usada para calcular a meta da vacinação era baixa demais. "Não conseguimos atingir a imunidade de rebanho", disse o porta-voz da DGHS, Zahid Raihan, à agência AFP.

A análise de mortalidade de um hospital de referência em Dhaka mostra quem morre nesse cenário. Dos 57 óbitos confirmados ou suspeitos registrados ali no ano, 49 eram de crianças com menos de 15 meses, e 31 tinham menos de nove meses, a idade em que as crianças do país recebem rotineiramente a primeira dose. Quarenta e sete dos 57 não tinham recebido nenhuma dose de vacina contra sarampo. O hospital alerta que seus dados não representam o país inteiro, por ser um serviço especializado que recebe casos graves de várias regiões.

Estados Unidos: a doença "eliminada" que voltou a matar

Nos Estados Unidos, o sarampo foi declarado eliminado em 2000. Em 13 de setembro, autoridades informaram a terceira morte pela doença no país neste ano: uma mulher de 40 anos, no estado da Pensilvânia. "Esta é uma perda dolorosa para a família e um lembrete infeliz de que o sarampo pode ser uma doença grave e potencialmente fatal", afirmou em nota Greg Furlong, legista do condado de Jefferson. Segundo o jornal The Washington Post, citando Furlong, a mulher não era vacinada.

As outras duas mortes do ano no país também ocorreram na Pensilvânia, no condado de Lancaster, área rural com grande população amish, um grupo cristão conservador com taxas de vacinação mais baixas que a média americana. As duas também envolviam pessoas não vacinadas, segundo autoridades estaduais.

O caso virou disputa política. Em agosto, depois do anúncio das duas primeiras mortes, o secretário de Saúde e Serviços Humanos dos EUA, Robert F. Kennedy Jr., conhecido por posições céticas sobre vacinas, acusou o governo estadual, liderado pelo Partido Democrata, de "instrumentalizar o medo de doenças infecciosas para ganho político" em publicação na rede social X, e levantou a possibilidade de que o anúncio "possa até ter sido inteiramente fabricado". O governador da Pensilvânia, Josh Shapiro, respondeu acusando Kennedy de espalhar teorias conspiratórias. O governo federal removeu essas mortes de sua contabilidade nacional do surto.

Os números do estado ajudam a dimensionar. A Pensilvânia registrou 676 casos no ano, 124 deles com internação, e quase um terço em crianças. Menos de 1% do total de casos no estado ocorreu em pessoas completamente vacinadas.

São Paulo: casos em crianças pequenas forçam vacinação porta a porta

No Brasil, a escala é outra, mas o padrão é o mesmo. São Paulo confirmou em 9 de setembro mais dois casos de sarampo em crianças com menos de 2 anos, chegando a 30 registros no estado em 2026. Em todo o ano de 2025 foram dois. A capital concentra 27 casos, com dois em São Bernardo do Campo e um em Guarulhos.

Quatro cadeias de transmissão foram identificadas no estado neste ano. A primeira, entre março e abril, foi associada a dois casos importados e encerrada após 12 semanas sem novos registros. As identificadas em junho, julho e agosto seguem sob acompanhamento das equipes de vigilância, que investigam casos, monitoram contatos e avaliam a necessidade de vacinação.

Depois da confirmação dos dois novos casos, a prefeitura retomou a vacinação indiscriminada de pessoas de 6 meses a 59 anos em três distritos da zona norte da capital: Vila Maria, Vila Medeiros e Vila Guilherme. Não é preciso comprovar histórico vacinal nem apresentar comprovante de residência. Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, quem chegar às unidades da região e informar que mora ou trabalha ali será vacinado. É a tradução prática da lição de Bangladesh: a decisão de quem vacinar passou a ser tomada por foco geográfico, e não por média.

O que fazer com essa informação

O primeiro passo é verificar a caderneta, a sua e a das crianças da casa. O Ministério da Saúde recomenda duas doses: a primeira aos 12 meses, com a tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, e a segunda aos 15 meses, com a tetraviral, que inclui proteção contra catapora. O intervalo mínimo entre as doses é de 30 dias. Pessoas de 1 a 29 anos devem ter duas doses da tríplice viral. Adultos de 30 a 59 anos precisam de pelo menos uma. Profissionais de saúde devem comprovar duas doses, independentemente da idade.

O segundo passo é ficar atento a convocações locais, porque elas não seguem o calendário nacional. Crianças de 6 meses a 11 meses e 29 dias que moram em São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo continuam podendo receber a chamada dose zero da tríplice viral, indicada também para bebês dessa faixa que tiveram contato com casos suspeitos ou confirmados, conforme avaliação das equipes de vigilância. Atenção a um detalhe que costuma gerar confusão: a dose zero não substitui o calendário. A criança que a recebe antes de completar 1 ano deve tomar normalmente a primeira dose aos 12 meses e a segunda aos 15.

Onde ir: na capital paulista, os imunizantes estão disponíveis em todas as UBSs e nas AMAs/UBSs Integradas, de segunda a sexta, das 7h às 19h, e aos sábados nas AMAs/UBSs Integradas, no mesmo horário. A plataforma Busca Saúde localiza a unidade mais próxima. A orientação da Secretaria Estadual da Saúde é procurar a UBS mais próxima para verificar a situação vacinal; o governo estadual também mantém a plataforma Vacina 100 Dúvidas, em vacina100duvidas.sp.gov.br.

O que acompanhar daqui para frente: em Bangladesh, Halimur Rashid, diretor de controle de doenças da DGHS, afirmou que as autoridades preparavam uma nova rodada de vacinação. Especialistas ouvidos pela Al Jazeera dizem que o sucesso dependerá menos de outro número nacional alto e mais do microplanejamento, identificando crianças suscetíveis comunidade por comunidade. Aqui, o equivalente é a sequência de mutirões por bairro. Se aparecer um na sua região, ele existe porque a vigilância encontrou uma cadeia de transmissão ativa por perto.

Leia e ouça grátis!

Ao se cadastrar, você ganhará um passe livre de 7 dias grátis para aproveitar tudo que o 12min tem a oferecer.

Quem escreveu o livro?

Agora o 12min também produz conteúdos próprios. 12min Originals é a ferram... (Leia mais)

Aprenda mais com o 12min

6 Milhões

De usuários já transformaram sua forma de se desenvolver

4,8 Estrelas

Média de avaliações na AppStore e no Google Play

91%

Dos usuários do 12min melhoraram seu hábito de leitura

Um pequeno investimento para uma oportunidade incrível

Cresca exponencialmente com o acesso a ideias poderosas de mais de 2.500 microbooks de não ficção.

Hoje

Comece a aproveitar toda a biblioteca que o 12min tem a oferecer.

Dia 5

Não se preocupe, enviaremos um lembrete avisando que sua trial está finalizando.

Dia 7

O período de testes acaba aqui.

Aproveite o acesso ilimitado por 7 dias. Use nosso app e continue investindo em você mesmo por menos de R$14,92 por mês, ou apenas cancele antes do fim dos 7 dias e você não será cobrado.

Inicie seu teste gratuito

Mais de 70.000 avaliações 5 estrelas

Inicie seu teste gratuito

O que a mídia diz sobre nós?